Delegados pedem que Gonet se declare impedido no caso Master 

Associação de delegados da PF pede que Gonet deixe procedimentos em que é citado e critica apuração aberta pela PGR sobre relatório da corporação

Crédito: Gustavo Moreno/STF

A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) pediu neste sábado (5) que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, se declare impedido de atuar em procedimentos relacionados a fatos nos quais é citado no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga o caso do Banco Master.

Gonet aparece nominalmente em um relatório elaborado pela Polícia Federal a partir de materiais apreendidos na operação. O documento também reúne informações envolvendo o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.

Gonet é citado em relatório da Polícia Federal

Segundo a ADPF, as regras de impedimento e suspeição aplicadas a integrantes do Judiciário também devem alcançar membros do Ministério Público.

O pedido ocorre após a Procuradoria-Geral da República (PGR) instaurar um Procedimento de Controle Externo da Atividade Policial para investigar a atuação de agentes da PF na produção do relatório relacionado ao material apreendido na Operação Compliance Zero.

A associação afirmou ter “indignação e preocupação” com a abertura do procedimento e argumentou que os delegados e servidores envolvidos apenas cumpriram uma determinação judicial, sem autonomia para decidir se o relatório deveria ou não ser produzido.

Associação critica investigação sobre policiais

Para a ADPF, caso a PGR considere irregular a decisão que determinou a elaboração do documento, o questionamento deveria ser apresentado diretamente no processo em tramitação no STF, e não em um procedimento voltado aos policiais que executaram a ordem.

A entidade afirmou que direcionar a apuração contra os responsáveis pela produção do relatório transfere aos executores uma controvérsia que, segundo a associação, não seria de responsabilidade deles.

A presença do próprio Gonet no relatório é um dos argumentos utilizados pela associação para pedir o impedimento. Para os delegados, independentemente das intenções do procurador-geral, a instauração do procedimento produz um efeito que pode ser considerado intimidatório para os investigadores.

ADPF pede arquivamento do procedimento da PGR

Além de solicitar que Gonet se declare impedido, a ADPF pediu o arquivamento do procedimento aberto pela Procuradoria-Geral da República.

A entidade também defendeu que os fatos identificados durante a Operação Compliance Zero sejam investigados de forma ampla, sem seletividade quanto às autoridades envolvidas.

A associação afirmou ainda que dará assistência aos delegados eventualmente atingidos por medidas relacionadas ao episódio. A defesa da categoria, segundo a entidade, busca preservar a atuação da Polícia Federal sem que investigadores deixem de cumprir determinações judiciais por receio de futuras responsabilizações.

Crise envolve relatório sobre Moraes e Vorcaro

O pedido ocorre em meio à crise envolvendo o caso Banco Master, que ganhou novos contornos após a divulgação de um relatório da PF com informações sobre contatos entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro.

O documento também cita Paulo Gonet, o que ampliou as controvérsias em torno da atuação das instituições na apuração. A PGR, por sua vez, questionou a forma como o relatório foi produzido e abriu o procedimento de controle externo para apurar a conduta dos policiais.

No centro da disputa estão, de um lado, os questionamentos sobre a legalidade e a origem do relatório da PF e, de outro, a defesa da corporação de que seus agentes apenas cumpriram uma ordem judicial.

O caso segue em discussão no Supremo Tribunal Federal e na Procuradoria-Geral da República, enquanto a ADPF pressiona pelo afastamento de Gonet dos procedimentos nos quais seu próprio nome aparece.

  • Publicado: 05/09/2026 17:43
  • Alterado: 05/09/2026 17:43
  • Autor: Gabriel de Jesus
  • Fonte: CNN Brasil