DDMs de SP fazem 39 prisões por dia em flagrante
Dados do Sindpesp apontam mais de 300 mil B.Os e 17 mil prisões nas DDMs paulistas desde 2025
- Publicado: 22/09/2026 13:48
- Alterado: 22/09/2026 13:49
- Autor: Daniela Ferreira
- Fonte: Assessoria
As Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs) de São Paulo registraram uma média diária de 39 prisões em flagrante e solicitaram 262 medidas protetivas de urgência a cada 24 horas ao longo de 2025. Os dados inéditos foram obtidos pelo Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Sindpesp) junto aos canais oficiais da Polícia Civil, por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI).
O levantamento do sindicato do DDMs engloba todo o ano de 2025 e os primeiros oito meses de 2026. No acumulado desse período, as unidades especializadas paulistas contabilizaram 301.916 Boletins de Ocorrência, instauraram 198.049 inquéritos policiais, efetuaram 17.137 prisões em flagrante e ajuizaram 132,5 mil medidas protetivas na Justiça.

Apenas em 2025, foram lavrados 183.904 Boletins de Ocorrência uma média de 503 registros por dia ou 20 a cada hora. Já entre janeiro e agosto de 2026, o volume de ocorrências registradas nas DDMs paulistas já atinge a marca de 118.012 casos, evidenciando a alta procura por socorro policial no estado.
A apuração sindical embasa a cobrança por investimentos estruturais, reforço de efetivo e valorização salarial dos policiais civis que atuam na linha de frente do combate aos crimes de gênero. O estado conta atualmente com 144 DDMs físicas, sendo 20 com atendimento presencial ininterrupto, além de 235 salas de atendimento virtual 24 horas.
Cobrança por efetivo e ressalva a promessas eleitorais
A representação sindical manifesta preocupação com promessas de ampliação do atendimento 24 horas desacompanhadas de novos concursos públicos. O alerta reforça que a abertura de novas plantas físicas sem recomposição do quadro de pessoal resulta no esgotamento físico da categoria e no comprometimento da qualidade no atendimento às vítimas.

“Os números provam a importância da Polícia Judiciária para as mulheres diante da escalada de crimes como o feminicídio. As DDMs garantem respostas firmes contra os criminosos, mas é preciso valorizar os profissionais que trabalham com dedicação e coragem, muitas vezes em situações adversas”, afirma a presidente do Sindpesp, delegada Jacqueline Valadares.
Jacqueline assinala que propostas de expansão do serviço em períodos eleitorais precisam vir acompanhadas de orçamento e planejamento de pessoal. “Não basta abrir delegacias 24h de forma açodada. É preciso que haja condições para que o atendimento seja prestado com o acolhimento necessário às vítimas e com condições dignas de trabalho aos policiais”, adverte a presidente do sindicato.
A entidade defende que a melhoria na qualidade da coleta de provas, no acompanhamento dos inquéritos e na rápida execução das prisões cautelares depende do fortalecimento contínuo da estrutura investigativa da Polícia Civil de São Paulo.