Datafolha: Flávio Bolsonaro e Lula empatam na pesquisa
A mais nova pesquisa eleitoral aponta um cenário de acirramento total na disputa presidencial. Flávio Bolsonaro e Lula empatam com 50% dos votos válidos cada um
- Publicado: 22/10/2026 21:59
- Alterado: 22/10/2026 22:08
- Autor: Leonardo Nogueira
- Fonte: Folha Press
O Datafolha divulgou os números da reta final do segundo turno, encomendada pela Folha e pela TV Globo. O levantamento reflete a polarização mais estreita desde a redemocratização, confirmando o equilíbrio verificado nas urnas no início do mês.
A disputa pelas urnas está na zona cinzenta da pesquisa. O senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) dividem o eleitorado em metades exatas, caso sejam descartados os votos brancos e nulos. A Justiça Eleitoral adota exatamente esse formato de cálculo para divulgar o resultado oficial da eleição.
O histórico da campanha expõe a recuperação do petista na segunda fase do pleito. Flávio liderava os votos válidos com 52% a 48% na primeira semana de outubro, oscilando para 51% a 49% na rodada anterior do Datafolha. O empate atual confirma uma leve curva ascendente do candidato à reeleição, embora ainda dentro da margem de erro.
O impacto decisivo da abstenção

A decisão de comparecer ou não aos locais de votação pode definir quem vai ocupar o Palácio do Planalto nos próximos quatro anos. A abstenção no primeiro turno bateu a marca de 21% do eleitorado nacional. O desafio do PT é mobilizar esses eleitores ausentes, enquanto o PL aposta na fidelização de sua base.
O Datafolha questionou o público sobre a participação no pleito do dia 4 de outubro. Entre os que dizem ter votado, 51% preferem Flávio e 49% optam por Lula. A pequena vantagem do senador nesse recorte específico explica o esforço petista para tentar reduzir as taxas de não comparecimento no próximo domingo.
A distância geográfica entre a residência e a urna eletrônica é um fator de peso. Lula lidera com 51% a 43% entre aqueles que moram longe ou precisam se deslocar para outra cidade. Flávio leva vantagem entre os cidadãos que residem perto de sua seção eleitoral, somando 48% a 45%.
Flávio Bolsonaro e Lula empatam em cenário de votos totais
A inclusão dos brancos, nulos e indecisos consolida o empate técnico estrutural da corrida presidencial. O candidato do PL marca 47% das intenções de voto contra 46% do representante do PT na simulação geral.
Os números do Datafolha revelam uma leve migração do eleitorado. Na semana passada, o senador tinha os mesmos 47%, mas Lula aparecia com 45%. O petista oscilou um ponto para cima, sugerindo que conseguiu atrair parte dos eleitores que pretendiam anular o voto, grupo que caiu de 6% para 5%.
O Datafolha não traça previsões exatas sobre o resultado, funcionando como um termômetro estatístico das últimas horas de campanha. O instituto entrevistou 2.520 pessoas em 154 cidades brasileiras entre terça-feira (20) e quinta-feira (22).
A margem de erro é de dois pontos percentuais para cima ou para baixo, e a pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o código BR-09709/2026.
Decisão do eleitorado e expectativa de vitória
A grande maioria dos brasileiros não pretende mudar de ideia no último minuto. A fatia de eleitores totalmente decididos atinge o patamar de 94%. O índice é ainda maior dentro das bolhas das duas campanhas, saltando para 96% entre os lulistas e 95% na base bolsonarista, de acordo com o Datafolha.
A percepção de vitória, no entanto, pende para o lado do candidato de oposição. Mais da metade dos entrevistados (53%) acredita que o senador vencerá a eleição no domingo, contra 39% que apostam na permanência do presidente.
Os motivos do voto também revelam diferenças nas bases de apoio de cada candidato:
- Lulistas: 81% afirmam escolher Lula por considerá-lo o melhor nome, contra apenas 13% que votam no petista para evitar a vitória de Flávio.
- Bolsonaristas: 65% votam no senador porque o consideram a opção mais preparada, enquanto 23% admitem que a intenção real é derrotar o atual presidente.
Eventos decisivos e embate direto na televisão

A reta final da corrida testou os reflexos e as estratégias de contenção de danos dos dois comitês de campanha. O governo federal aprovou o fim da jornada 6×1 e antecipou repasses do Bolsa Família, liberando bilhões em gastos no apagar das luzes do período eleitoral.
O senador do PL apostou na radicalização do horário eleitoral e na força orgânica das redes bolsonaristas, estimulando mobilizações de rua encabeçadas por aliados próximos, como os chamados “bloquinhos do Nikolas”.
O primeiro e único debate direto do segundo turno exacerbou o clima de guerra. O confronto transmitido pela TV Band terminou marcado por provocações pessoais intensas e proximidade física quase agressiva entre Flávio e Lula. As equipes de marketing focaram os cortes de vídeo em tentar projetar o oponente como despreparado ou desequilibrado, ofuscando completamente a discussão sobre projetos de governo.
Demografia estabilizada e recortes de gênero
A divisão geográfica do eleitorado permanece rígida, sem apresentar grandes viradas nos maiores colégios. O senador do PL consolida sua principal muralha de votos no Sudeste e no Sul, enquanto o presidente domina o Nordeste e lidera entre os mais pobres.
A região Sudeste, que concentra 42% dos eleitores brasileiros, mantém a vitória folgada de Flávio sobre Lula por 51% a 41%. O herdeiro bolsonarista também esmaga o petista entre o eleitorado evangélico, marcando 69% a 26%.
Lula resiste impulsionado pelos segmentos que tradicionalmente alimentam as taxas de abstenção. O presidente avança forte no Nordeste com 65% a 30%, além de comandar o eleitorado mais pobre (54% a 39%) e as camadas com menor instrução escolar (53% a 40%).
O desempenho por gênero expõe oscilações de ajustes e perdas localizadas:
Lula domina o eleitorado feminino com 49%, mas o senador avançou rapidamente de 40% para 44% entre as mulheres em apenas uma semana.
Flávio bate Lula com 50% a 44% entre os homens, mas perdeu dois pontos e viu o presidente saltar quatro pontos percentuais nos últimos dias neste recorte demográfico.
O cenário consolidado nas ruas, nas redes e nos números oficiais do Datafolha garante um domingo de suspense absoluto e contagem de votos voto a voto pelo Tribunal Superior Eleitoral.