Datafolha: Flávio Bolsonaro e Lula empatam na pesquisa

A mais nova pesquisa eleitoral aponta um cenário de acirramento total na disputa presidencial. Flávio Bolsonaro e Lula empatam com 50% dos votos válidos cada um

Crédito: (Reprodução)

O Datafolha divulgou os números da reta final do segundo turno, encomendada pela Folha e pela TV Globo. O levantamento reflete a polarização mais estreita desde a redemocratização, confirmando o equilíbrio verificado nas urnas no início do mês.

A disputa pelas urnas está na zona cinzenta da pesquisa. O senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) dividem o eleitorado em metades exatas, caso sejam descartados os votos brancos e nulos. A Justiça Eleitoral adota exatamente esse formato de cálculo para divulgar o resultado oficial da eleição.

O histórico da campanha expõe a recuperação do petista na segunda fase do pleito. Flávio liderava os votos válidos com 52% a 48% na primeira semana de outubro, oscilando para 51% a 49% na rodada anterior do Datafolha. O empate atual confirma uma leve curva ascendente do candidato à reeleição, embora ainda dentro da margem de erro.

O impacto decisivo da abstenção

Flávio Bolsonaro e Lula empatam em pesquisa do Datafolha
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A decisão de comparecer ou não aos locais de votação pode definir quem vai ocupar o Palácio do Planalto nos próximos quatro anos. A abstenção no primeiro turno bateu a marca de 21% do eleitorado nacional. O desafio do PT é mobilizar esses eleitores ausentes, enquanto o PL aposta na fidelização de sua base.

O Datafolha questionou o público sobre a participação no pleito do dia 4 de outubro. Entre os que dizem ter votado, 51% preferem Flávio e 49% optam por Lula. A pequena vantagem do senador nesse recorte específico explica o esforço petista para tentar reduzir as taxas de não comparecimento no próximo domingo.

A distância geográfica entre a residência e a urna eletrônica é um fator de peso. Lula lidera com 51% a 43% entre aqueles que moram longe ou precisam se deslocar para outra cidade. Flávio leva vantagem entre os cidadãos que residem perto de sua seção eleitoral, somando 48% a 45%.

Flávio Bolsonaro e Lula empatam em cenário de votos totais

A inclusão dos brancos, nulos e indecisos consolida o empate técnico estrutural da corrida presidencial. O candidato do PL marca 47% das intenções de voto contra 46% do representante do PT na simulação geral.

Os números do Datafolha revelam uma leve migração do eleitorado. Na semana passada, o senador tinha os mesmos 47%, mas Lula aparecia com 45%. O petista oscilou um ponto para cima, sugerindo que conseguiu atrair parte dos eleitores que pretendiam anular o voto, grupo que caiu de 6% para 5%.

O Datafolha não traça previsões exatas sobre o resultado, funcionando como um termômetro estatístico das últimas horas de campanha. O instituto entrevistou 2.520 pessoas em 154 cidades brasileiras entre terça-feira (20) e quinta-feira (22).

A margem de erro é de dois pontos percentuais para cima ou para baixo, e a pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o código BR-09709/2026.

Decisão do eleitorado e expectativa de vitória

A grande maioria dos brasileiros não pretende mudar de ideia no último minuto. A fatia de eleitores totalmente decididos atinge o patamar de 94%. O índice é ainda maior dentro das bolhas das duas campanhas, saltando para 96% entre os lulistas e 95% na base bolsonarista, de acordo com o Datafolha.

A percepção de vitória, no entanto, pende para o lado do candidato de oposição. Mais da metade dos entrevistados (53%) acredita que o senador vencerá a eleição no domingo, contra 39% que apostam na permanência do presidente.

Os motivos do voto também revelam diferenças nas bases de apoio de cada candidato:

  • Lulistas: 81% afirmam escolher Lula por considerá-lo o melhor nome, contra apenas 13% que votam no petista para evitar a vitória de Flávio.
  • Bolsonaristas: 65% votam no senador porque o consideram a opção mais preparada, enquanto 23% admitem que a intenção real é derrotar o atual presidente.

Eventos decisivos e embate direto na televisão

Flávio Bolsonaro e Lula empatam em pesquisa do Datafolha
(Fernando Frazão/Agência Brasil e Lula Marques/Agência Brasi)

A reta final da corrida testou os reflexos e as estratégias de contenção de danos dos dois comitês de campanha. O governo federal aprovou o fim da jornada 6×1 e antecipou repasses do Bolsa Família, liberando bilhões em gastos no apagar das luzes do período eleitoral.

O senador do PL apostou na radicalização do horário eleitoral e na força orgânica das redes bolsonaristas, estimulando mobilizações de rua encabeçadas por aliados próximos, como os chamados “bloquinhos do Nikolas”.

O primeiro e único debate direto do segundo turno exacerbou o clima de guerra. O confronto transmitido pela TV Band terminou marcado por provocações pessoais intensas e proximidade física quase agressiva entre Flávio e Lula. As equipes de marketing focaram os cortes de vídeo em tentar projetar o oponente como despreparado ou desequilibrado, ofuscando completamente a discussão sobre projetos de governo.

Demografia estabilizada e recortes de gênero

A divisão geográfica do eleitorado permanece rígida, sem apresentar grandes viradas nos maiores colégios. O senador do PL consolida sua principal muralha de votos no Sudeste e no Sul, enquanto o presidente domina o Nordeste e lidera entre os mais pobres.

A região Sudeste, que concentra 42% dos eleitores brasileiros, mantém a vitória folgada de Flávio sobre Lula por 51% a 41%. O herdeiro bolsonarista também esmaga o petista entre o eleitorado evangélico, marcando 69% a 26%.

Lula resiste impulsionado pelos segmentos que tradicionalmente alimentam as taxas de abstenção. O presidente avança forte no Nordeste com 65% a 30%, além de comandar o eleitorado mais pobre (54% a 39%) e as camadas com menor instrução escolar (53% a 40%).

O desempenho por gênero expõe oscilações de ajustes e perdas localizadas:

Lula domina o eleitorado feminino com 49%, mas o senador avançou rapidamente de 40% para 44% entre as mulheres em apenas uma semana.

Flávio bate Lula com 50% a 44% entre os homens, mas perdeu dois pontos e viu o presidente saltar quatro pontos percentuais nos últimos dias neste recorte demográfico.

O cenário consolidado nas ruas, nas redes e nos números oficiais do Datafolha garante um domingo de suspense absoluto e contagem de votos voto a voto pelo Tribunal Superior Eleitoral.

  • Publicado: 22/10/2026 21:59
  • Alterado: 22/10/2026 22:08
  • Autor: Leonardo Nogueira
  • Fonte: Folha Press