Custo de vida sobe com alta de combustíveis e comida na RMSP
Conflitos externos encarecem o petróleo e impactam diretamente os preços nos supermercados e postos de combustíveis da Grande São Paulo.
- Publicado: 07/05/2026 10:07
- Alterado: 07/05/2026 10:07
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: FecomercioSP
O custo de vida na Região Metropolitana de São Paulo registrou alta de 0,72% em março. O avanço reflete o repasse do aumento do petróleo, influenciado pela guerra no Irã, para as bombas de abastecimento e prateleiras do varejo.
A FecomercioSP calcula que o indicador acumula expansão de 4,92% nos últimos 12 meses. O impacto atinge os grupos de transporte e alimentação de forma contundente, setores que representam quase 45% do orçamento médio familiar na região.
Como o custo de vida pressiona a renda das classes C, D e E
A inflação corrói o orçamento das famílias de menor poder aquisitivo com maior intensidade. O custo de vida para a classe D subiu 0,93%, enquanto a classe E sentiu um impacto de 0,86% no mesmo período de análise.
A classe A registrou uma elevação menor, fechando março em 0,61%. A diferença ocorre porque as despesas básicas concentram a maior parte da renda dos mais pobres.
O setor de transportes puxou a alta geral ao avançar 1,47%. O preço do óleo diesel disparou 14,4%, encarecendo toda a cadeia logística. A gasolina subiu 4,4% e o etanol registrou acréscimo de 1,3%. No segmento aéreo, as passagens decolaram 7,8%.
Supermercados, farmácias e materiais de construção repassam aumentos
O grupo de alimentação e bebidas saltou 0,83%. Produtos básicos da mesa dos paulistas lideram o choque nos supermercados. O feijão-carioca subiu 15,6%, acompanhado pelo tomate (12,2%) e por cortes de carne como o acém (5%) e a alcatra (2,9%).
“O encarecimento dos custos logísticos começa a ser repassado aos preços, o que tende a pressionar o grupo de alimentos dos lares nos próximos meses”, projeta a análise da instituição.
A pressão inflacionária também afeta obras e reformas. O grupo de habitação registrou alta de 2,4% em itens como cimento, tijolo e revestimentos. No setor de eletrônicos, microcomputadores (3,3%) e televisores (2%) impulsionaram os gastos do lar.
O segmento de saúde e cuidados pessoais consolida o avanço do custo de vida. Os consumidores pagaram mais caro por hormônios (2,7%) e antibióticos (2,6%), além de enfrentarem altas nos planos de saúde (0,5%) e serviços odontológicos (0,2%).
A tendência para o próximo mês exige cautela redobrada dos consumidores. O reajuste anual da tabela de medicamentos e a entressafra de produtos agrícolas ameaçam manter o custo de vida em patamares elevados no curto prazo.