Custo de apostas online ao SUS chega a R$ 30,6 bilhões por ano
Impacto das apostas online no SUS atinge R$ 30,6 bilhões ao ano. Atendimentos crescem 140% e Ministério da Saúde amplia suporte
- Publicado: 19/09/2026 15:42
- Alterado: 19/09/2026 15:43
- Autor: Gabriel de Jesus
- Fonte: Agência Brasil
Os impactos causados pelas apostas online no SUS geram um prejuízo financeiro estimado em R$ 30,6 bilhões por ano ao Brasil. O levantamento do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) considera os gastos públicos com tratamentos para ansiedade, depressão e decorrências de suicídios associados ao vício. Atualmente, apenas 1% do valor arrecadado das operadoras de apostas é repassado ao Ministério da Saúde para combater esses danos.
A busca por atendimento especializado no SUS para tratar a dependência em jogos e apostas eletrônicas subiu 140% nos últimos cinco anos. O crescimento foi registrado em toda a Rede de Atenção Psicossocial.
Para responder à demanda, o governo federal ampliou o serviço público de teleatendimento. O diretor de Saúde Mental do Ministério da Saúde, Marcelo Kimati, explica que a estratégia busca facilitar o primeiro contato com a rede de apoio.
“Desde fevereiro deste ano, quando nós criamos uma porta de entrada para atendimentos a jogos e apostas de forma eletrônica, nós tivemos uma procura de 20 mil pessoas que se cadastraram após fazerem um teste”, afirma Kimati.
A capacidade operacional da parceria com a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS) saltou de 600 para até 100 mil teleatendimentos mensais.
Ferramentas de autoexclusão e apoio familiar no tratamento pelo SUS
Além do suporte oferecido pelo SUS, a plataforma de autoexclusão do Ministério da Fazenda contabiliza mais de 5 milhões de CPFs bloqueados em sites autorizados. Mais de 1 milhão de usuários pediram o bloqueio voluntário — e cerca de metade desse grupo alegou problemas de saúde mental.
O vendedor Gustavo Pereira, de 24 anos, perdeu R$ 500 mil em seis anos de vício antes de recorrer ao bloqueio voluntário e buscar apoio psicológico.
“Tive várias recaídas nesse processo, atal chegar o momento da autoexclusão da plataforma. Pode-se dizer que essa ferramenta salvou minha vida. Eu recuperei minha autoestima, recuperei a coragem de olhar nos olhos das pessoas, eu sou outra pessoa, o vício me transformou em outra coisa”, relata o jovem, que hoje vende café nas ruas de Lages (SC) para reconstruir a rotina.
Onde buscar ajuda gratuita no SUS e redes de apoio
O acolhimento gratuito e sigiloso pelo SUS pode ser iniciado via teleatendimento psicológico no portal Meu SUS Digital, além de consultas presenciais nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). O atendimento é estendido aos familiares.
Outras opções de apoio comunitário incluem:
- Jogadores Anônimos: Reuniões presenciais e virtuais para dependentes.
- JOG-Anon: Grupo de apoio voltado exclusivamente a familiares e amigos de jogadores compulsivos.
- Centro de Valorização da Vida (CVV): Atendimento emocional gratuito pelo telefone 188 ou pelo site oficial.
Especialistas reforçam que sinais como isolamento, mudanças bruscas de humor e prejuízos financeiros exigem intervenção imediata da família, direcionando o paciente ao atendimento do SUS sem julgamentos morais.