Corinthians envia comitiva a Brasília para tentar renegociar Neo Química Arena
Clube busca auxílio da AGU para renegociar dívida de R$ 650 milhões com a Caixa; ideia é trocar o cálculo pelo CDI por índices de inflação e incluir naming rights no acordo
- Publicado: 23/09/2026 21:46
- Alterado: 23/09/2026 21:46
- Autor: Redação
- Fonte: Agência Somos FC
O Corinthians intensificou a ofensiva nos bastidores para tentar resolver um dos maiores problemas financeiros do clube: a dívida da Neo Química Arena. Uma comitiva alvinegra viajou a Brasília para negociar diretamente com o governo federal, com auxílio da Advocacia-Geral da União (AGU), na tentativa de alterar as condições de pagamento do financiamento junto à Caixa Econômica Federal.
O que o Corinthians quer
O débito atual é de aproximadamente R$ 650 milhões. O Corinthians busca mudar principalmente a forma de cálculo dos juros. Desde 2023, quando houve um refinanciamento por atrasos nos pagamentos, os juros passaram a ser calculados pelo CDI. A ideia agora é migrar para a TLP (Taxa de Longo Prazo) ou para índices relativos à inflação, que têm se mostrado mais controlados.
Além disso, o clube também tenta incluir o naming rights da arena na negociação. O contrato atual com a Hypera Pharma poderia ser encerrado — a rescisão giraria em torno de R$ 50 milhões —, e a cúpula alvinegra entende que o que deixaria de pagar em juros tornaria a operação viável.

O que diz Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abordou o tema em entrevista ao podcast Desce a Letra Show e revelou conversas com a diretoria da Caixa. Ele criticou o montante cobrado sobre o empréstimo e defendeu alternativas para aliviar os cofres do clube.
“Você sabe que o Corinthians pegou R$ 400 milhões emprestados para fazer o estádio. Já pagou R$ 1,075 bilhão e ainda deve R$ 600 milhões. Eu falei para o cara da Caixa: ‘Que loucura é essa?’ PegueiR 400 milhões, paguei R$ 1 bilhão e ainda devo R$ 600 milhões’. É por conta dos juros.”
Lula também sugeriu um projeto de negociação envolvendo a Fazendinha e o setor imobiliário. “Agora eu falei para o presidente da Caixa propor uma coisa nova para o Corinthians: pega a Fazendinha, o velho Parque São Jorge, faz um convênio com o setor imobiliário e vende aquilo para pagar a dívida, faz um crédito imobiliário disso, assim o Corinthians pode contratar jogador, a Fazendinha está parada.”
O cenário político
A tendência, por ora, é negativa. O período eleitoral pode fazer com que qualquer movimento do governo federal em favor do clube seja interpretado como favorecimento político. A comitiva corintiana tenta, nos bastidores, encontrar uma saída técnica que não seja contaminada pela disputa eleitoral.