Consórcio ABC debate equidade na saúde do Grande ABC

Seminário regional discute estratégias conjuntas para melhorar o atendimento médico de minorias étnicas, povos indígenas e imigrantes.

Crédito: Divulgação/Consórcio ABC

O Consórcio ABC realizou neste sábado (7) um seminário focado na construção de políticas públicas de saúde étnico-raciais. O encontro reuniu gestores, especialistas e movimentos sociais com o objetivo de estruturar um sistema de atendimento mais igualitário e livre de preconceitos na região.

A abertura do evento mobilizou lideranças dedicadas à redução das disparidades sociais. O secretário-executivo da entidade, Gilmar Viana, destacou a necessidade da aplicação de ações afirmativas para assegurar direitos básicos, alertando para o impacto estrutural das desigualdades.

“Desenvolvimento sustentável é, sobretudo, o crescimento do capital humano. Para ter capital humano, precisa ter saúde, educação e habitação”, afirmou Viana.

Articulação do Consórcio ABC para grupos minoritários

Divulgação/Consórcio ABC

O primeiro painel da conferência do Consórcio ABC esmiuçou as barreiras de acesso enfrentadas por diferentes segmentos da população. O debate contou com a presença de especialistas de peso, como o procurador da República em São Bernardo do Campo, Steven Shuniti Zwicker, e a ativista indígena Elaine Pankará.

Os profissionais analisaram a necessidade de se desenhar ações governamentais que respeitem as urgências e particularidades culturais de cada grupo. O Consórcio ABC atua neste cenário como o polo de convergência para garantir que os sete municípios apliquem condutas sanitárias e sociais unificadas.

A precisão dos registros raciais

A coleta correta do quesito raça e cor nas unidades médicas dominou as mesas de discussão do período da tarde. A integrante do Comitê Técnico de Saúde da População Negra de Diadema, Marcia Damaceno, chamou a atenção para o impacto negativo do preenchimento inadequado das fichas de pacientes.

O mapeamento rigoroso dos prontuários é a principal ferramenta estatística para guiar o repasse de verbas e a criação de iniciativas direcionadas. Sem a identificação exata das demandas demográficas, os governos locais perdem a capacidade de intervir nos problemas endêmicos dessas populações.

Letramento racial na ponta do sistema

O coordenador regional de Políticas para a Promoção da Igualdade Racial, Mestre Pelé, cobrou a capacitação imediata dos servidores municipais. Ele avalia que o momento de acolhimento nos hospitais exige profissionais capacitados para interagir sem o peso do racismo institucional.

“Não é somente o atendimento à saúde, é a forma de atender, é o letramento, é toda aquela forma quando você vai estar lá na ponta”, ressaltou Mestre Pelé.

A formulação de um ecossistema de saúde justo exige a revisão permanente de procedimentos por parte dos governantes. As diretrizes consolidadas durante o seminário indicam que o Consórcio ABC será o principal instrumento institucional para monitorar os avanços dessa pauta no estado de São Paulo.

  • Publicado: 07/11/2026 15:55
  • Alterado: 07/11/2026 15:56
  • Autor: Thiago Antunes
  • Fonte: Assessoria