Confiança de pequenas empresas chega ao menor nível em 5 anos
A retração reflete incertezas econômicas, o fim da isenção para importados e os recentes debates sobre a redução da jornada de trabalho.
- Publicado: 13/08/2026 10:32
- Alterado: 13/08/2026 10:32
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: FecomercioSP
A confiança das empresas de pequeno porte recuou pelo sexto mês consecutivo no município de São Paulo e atingiu 93,6 pontos em julho, o menor patamar desde o auge da pandemia em 2021. Os dados divulgados pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) apontam uma queda interanual de 8,8% no indicador.
O pessimismo dos comerciantes de menor escala contrastou com as operações de companhias que possuem mais de 50 funcionários. O segmento de grande porte registrou alta de 3,9% em relação a junho e alcançou 106,4 pontos, mantendo-se na zona otimista da pesquisa de mercado.
Impacto político na confiança das empresas de pequeno porte
A instabilidade em Brasília afeta diretamente a confiança das empresas de pequeno porte. A mudança na regra de tributação internacional e o avanço no Congresso da proposta de redução da escala 6×1 deixaram os pequenos negócios mais vulneráveis e receosos com o futuro do setor.
O índice que avalia as condições atuais do comércio acumula 42 meses seguidos abaixo dos 100 pontos, configurando um cenário de insatisfação crônica. Os empreendedores paulistanos lidam com a pressão contínua de custos operacionais e uma taxa básica de juros que limita o acesso ao crédito.
“Os empresários não estão satisfeitos com rentabilidade, pressão de custos e juros elevados, mesmo com o crescimento das vendas no final de 2025”, destacou a FecomercioSP em seu boletim oficial.
Investimentos paralisados no setor
A intenção de investir acompanhou a queda geral e deteriorou ainda mais a confiança das empresas de pequeno porte. O índice de investimentos dessa categoria caiu para 97 pontos em julho, refletindo a postura defensiva diante da inflação persistente e do desaquecimento no volume de consumo das famílias.
A pesquisa revela que a expansão de infraestrutura e a modernização de lojas estão fora dos planos imediatos. O nível geral de investimento das empresas caiu pelo sexto mês seguido para 89,3 pontos, anulando a atratividade de projetos de ampliação da capacidade logística.
Contratações e o futuro da confiança das empresas de pequeno porte
A expectativa de absorção de novos trabalhadores acompanhou o freio na atividade econômica local. A métrica de intenção de contratação atingiu 113,1 pontos em julho, uma retração de 4,5% quando comparada ao mesmo período do ano anterior, indicando um mercado de trabalho estagnado no curto prazo.
A recuperação da atividade comercial depende da criação de um ambiente com maior controle inflacionário e previsibilidade nas pautas econômicas. Sem sinais claros de alívio nas despesas fixas, o cenário exige cautela absoluta e desafia a confiança das empresas de pequeno porte.