Concacaf apoia recuo e pede avaliação sobre gestão da Fifa
A Concacaf apoiou o recuo da Fifa sobre a criação de empresa bilionária e cobrou avaliação rigorosa do presidente Gianni Infantino
- Publicado: 01/08/2026 15:20
- Alterado: 01/08/2026 15:20
- Autor: Gabriel de Jesus
- Fonte: FolhaPress
A Concacaf manifestou apoio público à decisão da Fifa de retirar a proposta de criação de uma subsidiária comercial bilionária vinculada à Copa do Mundo. Em nota divulgada neste sábado (1º), a confederação responsável pelo futebol nas Américas do Norte e Central e no Caribe afirmou que uma avaliação do trabalho do presidente da Fifa, Gianni Infantino, é imprescindível após o episódio.
O posicionamento da Concacaf ocorre em meio a um forte desgaste político na entidade máxima do futebol. O projeto, que gerou divisão interna e ameaças de boicote por parte da Uefa, previa a venda de participações acionárias da operação de torneios globais a investidores privados.
Entidade critica condução sem transparência
No comunicado oficial, a Concacaf destacou que a tentativa de avançar com o projeto ocorreu sem o devido processo de consulta às federações filiadas. A instituição classificou o movimento como um sintoma de problemas de governança no comando da entidade máxima.
“Uma proposta dessa magnitude não chega a esse estágio por acaso. Ela é um sintoma de uma liderança que deixou de colocar o futebol em primeiro lugar. Esse recente ato unilateral e flagrante de má governança e liderança segue um padrão de erros e de comportamentos semelhantes. Uma avaliação abrangente desta presidência é imprescindível”, diz a nota divulgada pela Concacaf.
A confederação também reforçou que a estrutura do futebol mundial deve responder aos seus filiados e à comunidade esportiva.
“A FIFA não é uma empresa privada. É uma entidade mantida em confiança em nome do futebol e de seus membros. Aqueles nomeados para servi-la têm um dever fiduciário, um dever de servir acima do poder”, acrescenta o texto da Concacaf.
Entenda a proposta de 20 bilhões de dólares
A crise institucional teve início após a confirmação de que a presidência da Fifa pretendia criar a Fifa Forward Enterprise. O plano previa centralizar os direitos comerciais, patrocínios, transmissões e licenciamentos de grandes competições em uma nova empresa.
- Valor da subsidiária: Avaliada em 20 bilhões de dólares (cerca de R$ 102,3 bilhões).
- Participação a terceiros: Venda de até 20% das ações para investidores externos por 4,2 bilhões de dólares (cerca de R$ 21,4 bilhões).
- Reação das entidades: A Uefa acusou a existência de um “esquema secreto” e anunciou boicote aos torneios organizados pela federação internacional.
Diante do boicote europeu e do descontentamento de outros continentes, a proposta foi retirada na sexta-feira (31). A Concacaf confirmou que seus representantes no Conselho da Fifa atuarão diretamente para exigir o cumprimento dos estatutos e a apuração das responsabilidades sobre a condução do processo.