Seminário celebra os 25 anos do Comitê de Meio Ambiente do SindusCon-SP
Evento reuniu gestores públicos e da cadeia da construção civil para debater estratégias rumo a um futuro mais sustentável no setor
- Publicado: 02/06/2025 10:28
- Alterado: 02/06/2025 10:28
- Autor: Redação
- Fonte: Assessoria
Em comemoração aos 25 anos de existência do Comitê de Meio Ambiente do SindusCon-SP, a entidade promoveu, em parceria com a Green Building Council Brasil (GBC) e a Saint-Gobain Brasil , o seminário Estratégias para o Futuro da Construção Sustentável. O evento foi realizado nesta quinta-feira, 29 de maio, no Cubo Itaú, e reuniu aproximadamente 160 participantes, que lotaram o espaço.
Representantes do SindusCon-SP , de Organizações Não Governamentais, de empresas brasileiras e internacionais, além do poder público, participaram dos debates, apresentando propostas e soluções para fomentar a construção sustentável no país.
Na abertura, o presidente do SindusCon-SP, Yorki Estefan, relembrou o desafio inicial da criação do comitê, em 1999, enfrentando resistência tanto no setor quanto na sociedade. “O Comasp conseguiu quebrar a resistência do setor, provando que a sustentabilidade, além de preservar o meio ambiente, é um fator fundamental de competitividade para nossos negócios. Hoje, é reconhecido por seu trabalho e segue na vanguarda desta temática”, destacou Estefan.
Yorki também homenageou Artur Quaresma Filho, fundador do comitê e membro vitalício do SindusCon-SP, pela sua visão pioneira, e entregou-lhe uma placa de reconhecimento.
Moderado por Quaresma, o primeiro painel abordou o tema Planos de Ação Climática e de Energia: Diretrizes, Metas e Estratégias. Mauricio Guerra, diretor do Departamento de Meio Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, afirmou ser testemunha da longa contribuição do SindusCon-SP à construção sustentável. De acordo com Maurício, o Ministério está desenvolvendo o programa Cidades Verdes Resilientes, para implementar projetos de sustentabilidade e viabilizar os respectivos investimentos. Até dezembro, deverá ser apresentada uma proposta do governo federal de incentivo à construção sustentável.
Na sequência, Marcela Nectoux, diretora de Recursos Hídricos da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo, informou que o Plano Climático do Estado deverá ser lançado nos próximos dias, durante a Semana do Meio Ambiente, e estará sintonizado com os programas da União e dos municípios.
Ainda na programação, Luísa Ramos Steiner, líder de Estratégia e Implementação de Carbono na filial londrina da incorporadora holandesa Edge, abordou o tema Construção Civil e o Clima: Desafios e Tendências no Cenário Internacional de Descarbonização. Em sua apresentação, Luísa mostrou que a empresa atua para que suas operações reduzam as emissões até atingir zero em 2050. Ela também apresentou as diversas normas e diretrizes europeias para a sustentabilidade, com diferentes metodologias e bases de dados. Afirmou que o Reino Unido tem se destacado como referência em descarbonização na Europa e no mundo.
Construindo Um Futuro Sustentável: O Protagonismo do Brasil na Descarbonização foi o tema da palestra de Lilian Sarrouf, coordenadora técnica do Comasp e superintendente do Comitê Brasileiro da Construção Civil da Associação Brasileira de Normas Técnicas (CB-002/ABNT). Ela relatou a participação do setor da construção na elaboração de políticas públicas e normas técnicas, como na Taxonomia Sustentável Brasileira.
Lilian apresentou os resultados da CECarbon (Calculadora de Consumo Energético e Emissões de Carbono), desenvolvida pelo Comasp/SindusCon-SP , que demonstraram que a emissão de Gases de Efeito Estufa na etapa de obra gira em torno de 220 kgCO₂e/m². Esse é um indicador muito positivo, especialmente quando comparado aos valores internacionais apresentados anteriormente na palestra de Luísa Steiner . “A descarbonização começa no projeto e se estende à gestão no canteiro de obras, onde há grande receptividade para ações de sustentabilidade”, afirmou.
Lilian finalizou apontando as diversas frentes de atuação do comitê em relação a temas como políticas públicas, normas da ABNT, incentivos econômicos e financeiros, economia circular, industrialização da construção e materiais de baixo carbono. Disse esperar que o SindusCon-SP apresente a Calculadora de Pegada Hídrica por ocasião da COP30.
Na sequência, Gustavo Baptista, gerente de Produtos e líder de Aplicação/Pré-vendas da Samsung, abordou as Tendências Tecnológicas nas Edificações. Ele destacou a importância de aperfeiçoamentos na climatização das edificações para o alcance da meta de Zero Carbono em 2050. Após as apresentações de Luisa, Lilian e Gustavo, houve um debate mediado por Felipe Faria, CEO do GBC Brasil.
O segundo painel, Pegada Hídrica: Conectando Consumo, Produção, Setor da Construção e a Sociedade, foi aberto por Virginia Sodré, CEO da Infinitytech e presidente do Conselho de Água do Green Building Brasil. Ela apresentou o desenvolvimento em andamento da CEHídrica (Calculadora de Eficiência Hídrica) pelo Comasp/SindusCon-SP, para avaliar o impacto ambiental relacionado à água na construção. A ferramenta permitirá a tomada de decisões sobre projeto e escolha de materiais para mitigar o impacto hídrico, e realizar o inventário prevendo uma vida útil de 50 anos da edificação.
Já a gerente de Sustentabilidade Estratégica e Social da Sabesp, Christiane Parreira, apresentou o programa Parceiros para o Impacto, destinado ao engajamento das comunidades para padronizar boas práticas de gestão socioambiental. O foco é utilizar as obras para transformar territórios, melhorar a qualidade de vida e avançar na universalização do atendimento. Em seguida, Pedro Taves, membro da Diretoria da Saint-Gobain Canalização e presidente da Associação Brasileira de Materiais para Saneamento (Asfamas), relatou que a empresa já possui Declarações Ambientais de Produto (EPDs) para vários de seus produtos. Dentro da Saint-Gobain foi criada a Pam Serviços, com produtos e serviços que visam à economia de água e à redução de perdas pelas companhias de saneamento.
O segundo painel terminou com um debate mediado por Daniel Wagner, gerente sênior de Projetos do Grupo Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD).
Na sequência, Rodrigo Ashiuchi, secretário municipal do Verde e Meio Ambiente de São Paulo, apresentou as Diretrizes da Prefeitura para uma Cidade Mais Sustentável. Ashiuchi relatou a criação de um grupo de trabalho com o SindusCon-SP e outras entidades para facilitar a emissão dos Termos de Compromisso Ambiental (TCA), a criação de um grupo para revisão da quota ambiental; e um mutirão para priorizar a emissão de Certificados de Recebimento Provisório (CRP), entre outras ações.
O secretário também presenteou o presidente Yorki Estefan, com um protótipo das placas que passarão a ser utilizadas nos canteiros de obras da cidade de São Paulo. As placas informarão a quantidade de árvores removidas e as que foram plantadas como compensação ambiental. Ele destacou que a iniciativa foi originalmente apresentada pelo SindusCon-SP durante uma visita à entidade, realizada em março deste ano.
O último painel abordou o tema Reflexões Finais e Caminhos para o Futuro, com Filipe Guimarães, head of Corporates no Cubo Itaú, e Francisco Antunes de Vasconcellos Neto, vice-presidente de Meio Ambiente do SindusCon-SP.
O representante do Cubo Itaú anunciou um evento em agosto sobre mudanças climáticas, que terá um dia dedicado à construção civil. Francisco finalizou destacando a importância do evento e do Comasp nas discussões sobre sustentabilidade no setor: “O trabalho persistente, técnico e altamente comprometido do comitê foi e continua sendo extremamente relevante. Levamos adiante ações e produtos, muitas vezes de fácil implantação e outras nem tanto, graças às parcerias estratégicas realizadas com órgãos de governo, ONGs, universidades, entidades setoriais, e ao apoio constante de construtoras e incorporadoras de todos os portes.” E concluiu: “Este evento comemorativo demonstrou a importância do Comasp para a consolidação da sustentabilidade como um diferencial competitivo no setor da construção, evidenciando que empresas comprometidas com práticas sustentáveis se posicionam como players mais preparados, inovadores e valorizados no mercado.”
Sobre o SindusCon-SP
O SindusCon-SP é a maior associação de empresas da indústria da construção na América Latina. Congrega 300 construtoras associadas e representa cerca de 50 mil empresas de construção residencial, industrial, comercial, obras de infraestrutura e habitação popular, localizadas no estado de São Paulo. Tem sede na capital paulista e representações em nove regiões e uma delegação nos principais municípios do interior. A construção paulista representa 27,6% da construção brasileira, que por sua vez equivale a 4,9% do PIB brasileiro