Ciclone-bomba: veja como funciona o fenômeno que chega ao Brasil
Fenômeno meteorológico deve avançar pelo país e Defesa Civil de São Paulo mantém gabinete de crise para acompanhar impactos causados pelo ciclone-bomba
- Publicado: 06/08/2026 17:44
- Alterado: 06/08/2026 17:45
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: FOLHAPRESS
Um ciclone-bomba pode se formar na região Sul do Brasil nesta quinta-feira (6), com previsão de rajadas de vento que podem chegar a 100 km/h. Diante da possibilidade de impactos em diferentes áreas, a Defesa Civil do Estado de São Paulo criou um gabinete de crise para acompanhar a evolução do sistema e seus possíveis efeitos.
A estrutura de monitoramento permanecerá ativa até sábado (8). De acordo com o CGE (Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas), além dos ventos intensos, o fenômeno deve provocar chuvas de intensidade moderada na sexta-feira (7) e durante o fim de semana.
As primeiras rajadas estão previstas para começar nesta quinta-feira, com a emissão de alerta laranja para as áreas que podem ser afetadas.
Ciclone-bomba: entenda como funciona o fenômeno meteorológico

O professor Micael Cecchini, do Instituto Astronômico e Geofísico da USP, explica que um ciclone é um sistema atmosférico de grande escala, podendo atingir centenas ou milhares de quilômetros de extensão. Uma das principais características é a rotação dos ventos no mesmo sentido da movimentação da Terra.
No Hemisfério Sul, esses sistemas apresentam giro no sentido horário quando observados de cima. Já no Hemisfério Norte, a circulação ocorre no sentido anti-horário. Segundo o especialista, qualquer sistema meteorológico que tenha esse padrão de rotação recebe a denominação de ciclone.
Existem diferentes categorias, como os ciclones tropicais, que ocorrem nas regiões próximas aos trópicos e podem dar origem aos furacões. Os termos furacão e tufão representam o mesmo tipo de fenômeno, mas recebem nomes diferentes conforme a região de ocorrência. O tufão é utilizado principalmente para eventos no Japão e no Pacífico Noroeste, enquanto furacão é mais comum no Atlântico.
Também existem os ciclones extratropicais, registrados em latitudes mais elevadas, e os subtropicais, que aparecem em áreas de transição entre regiões tropicais e extratropicais.
Ciclone-bomba tem relação com choque entre massas de ar
Segundo Cecchini, os ciclones extratropicais e subtropicais surgem a partir do encontro entre massas de ar quente e frio. A diferença de temperatura provoca ventos mais fortes nas camadas superiores da atmosfera, reduzindo a pressão próxima à superfície e favorecendo a formação do sistema.
A principal diferença entre um ciclone tradicional e um ciclone-bomba está na velocidade e intensidade desse processo. Quando o contraste térmico entre as massas de ar é muito elevado, a queda da pressão atmosférica acontece de maneira acelerada.
Para que um sistema seja classificado como ciclone-bomba, a comunidade científica considera necessário que ocorra uma redução de 24 milibares na pressão atmosférica em um período de 24 horas.
Na prática, o fenômeno acontece quando uma massa de ar muito fria avança por baixo de uma massa de ar quente. Como o ar frio é mais denso, ele força o ar quente a subir rapidamente, favorecendo a formação de nuvens carregadas e tempestades mais intensas.
Fenômeno pode provocar queda brusca de temperatura
Quanto maior for a diferença entre as temperaturas das massas de ar envolvidas, maior tende a ser a intensidade do sistema. Esse cenário pode aumentar a ocorrência de tempestades severas, inclusive com possibilidade de granizo em algumas regiões.
Após a passagem do fenômeno, também é esperada uma queda rápida nas temperaturas, devido ao avanço da massa de ar frio.
O professor destaca que esse tipo de evento não ocorre com frequência. Por isso, a classificação específica é utilizada para identificar situações que podem exigir maior atenção dos órgãos de monitoramento e da população.