Chuvas deixam duas mortas e atingem 24 cidades de São Paulo
Temporais provocam mortes em Jundiaí, alagamentos, deslizamentos e bloqueios em rodovias; Defesa Civil mantém alerta laranja em todo o estado de São Paulo
- Publicado: 25/10/2026 14:10
- Alterado: 25/10/2026 14:15
- Autor: Edvaldo Barone
- Fonte: Defesa Civil SP
As fortes chuvas que atingiram o estado de São Paulo entre a noite de sábado (24) e a manhã deste domingo (25) deixaram duas mulheres mortas em Jundiaí, provocaram alagamentos e deslizamentos e comprometeram o funcionamento de rodovias e linhas de transporte ferroviário. Até o início da tarde, pelo menos 24 municípios haviam registrado ocorrências, enquanto a Defesa Civil mantinha alerta laranja para todo o território paulista diante da possibilidade de novos temporais.
As mortes ocorreram no bairro Casa Branca, em Jundiaí, onde duas mulheres foram arrastadas pela correnteza ao tentar atravessar um córrego durante a madrugada. Os óbitos foram confirmados na manhã deste domingo. O boletim estadual divulgado às 13h50 não informa as identidades das vítimas nem apresenta detalhes adicionais sobre as circunstâncias do acidente.
O volume de chuva chegou a 120 milímetros em Jaú, município com o maior acumulado informado pelo governo estadual. Itapetininga registrou 110 milímetros, seguida por Rio Claro, com 96 milímetros, e Amparo, com 90 milímetros. As regiões central, de Campinas, Sorocaba e a faixa leste paulista concentraram os principais impactos do episódio.
A situação também mobilizou equipes de emergência na capital e na Região Metropolitana de São Paulo. Entre a noite de sábado e o meio-dia de domingo, o Corpo de Bombeiros recebeu 36 chamados, dos quais 22 estavam relacionados a quedas de árvores, dez a enchentes e alagamentos e quatro a desabamentos e soterramentos.
Grande ABC tem rios em estado de alerta

O monitoramento hidrológico realizado pela SP Águas identificou três pontos em estado de alerta entre os 32 acompanhados em São Paulo. Todos ficam na Região Metropolitana de São Paulo: Mauá, Diadema e Taboão da Serra. Outros seis pontos estavam em condição de atenção e 23 apresentavam níveis considerados normais.
A classificação indica a necessidade de acompanhamento dos níveis dos cursos d’água diante das chuvas, mas o boletim não informa transbordamentos nesses três municípios. A Defesa Civil mantém atenção especial à faixa leste paulista, que inclui a Região Metropolitana, a Baixada Santista, o Litoral Norte e o Vale do Ribeira.
Em outros municípios metropolitanos, os danos já provocaram interdições e medidas preventivas. Franco da Rocha registrou afundamento de uma via e alagamentos em sete locais, enquanto Caieiras teve vias inundadas, deslizamentos em áreas com imóveis desocupados e bloqueio na Rodovia Presidente Tancredo Neves (SP-332). Em Francisco Morato, um deslizamento atingiu uma obra no Jardim Vassouras, que foi interditada pela Defesa Civil Municipal.
Em Carapicuíba, o solo de uma residência cedeu durante a chuva, e uma obra nas proximidades apresentou comprometimento estrutural. A área foi isolada preventivamente. Já em Santana de Parnaíba, problemas em uma construção levaram a Defesa Civil a orientar a saída de moradores de imóveis próximos.
Na capital paulista, os bombeiros atenderam a ocorrências de desabamento de muros no Sacomã e em Perus. No segundo caso, também houve queda de uma laje, associada, segundo as informações da ocorrência, a uma obra. As áreas foram isoladas.
Alagamentos atingem residências e provocam deslocamentos
Os impactos se estenderam a municípios do interior de São Paulo, com transbordamentos de rios, danos a imóveis e necessidade de acolhimento temporário de moradores. Em Itapetininga, onde o acumulado chegou a 110 milímetros, o Ribeirão dos Cavalos transbordou, inundou vias e atingiu residências na Vila Santa Isabel. Duas pessoas ficaram desabrigadas e foram acolhidas em um abrigo municipal provisório.
Em Itupeva, o rio Jundiaí transbordou em alguns pontos, enquanto equipes municipais realizavam vistorias em áreas consideradas críticas. Em Monte Mor, o transbordamento do rio Capivari atingiu trechos da região central, e o córrego Água Choca afetou vias da Vila Farid Calil. Também houve alagamentos associados à queda de um muro e ao transbordamento de outro córrego.
A chuva provocou alagamentos em cinco residências de Cajamar, além da abertura de uma cratera na Rua Padre Manoel Crispim, no distrito de Polvilho, acompanhada por vazamento em uma adutora. Em Sumaré, os registros se concentraram em vias dos bairros Vila Diva, Jardim Primavera, Jardim Dulce, Parque Jatobá e Jardim Basilicata.
Outras cidades do interior de São Paulo precisaram adotar medidas de assistência ou prevenção. Em Timburi, quatro pessoas foram encaminhadas à casa de familiares após a queda de um muro provocar alagamentos temporários em duas edificações. Em Borebi, seis moradores buscaram abrigo com familiares depois que uma residência foi inundada.
Em Apiaí, dois deslizamentos próximos a residências levaram à interdição preventiva de dois imóveis. Quatro pessoas deverão receber auxílio-aluguel, enquanto outra família optou por acolhimento familiar. O boletim também registra quedas de árvores, destelhamentos e problemas no fornecimento de energia em municípios como Botucatu, Guaimbê e São Carlos.
Rodovias interditadas e trens afetados pelas chuvas
As condições meteorológicas também provocaram bloqueios em estradas estaduais. Segundo o Departamento de Estradas de Rodagem (DER), três rodovias estavam com interdição total no boletim divulgado neste domingo: a Presidente Tancredo Neves (SP-332), em Caieiras, no km 35,5; a Vicente de Palma (SP-129), em Tatuí, no km 25,5; e a Constante Peruchi (SP-316), em Santa Gertrudes, no km 172.
Os bloqueios foram provocados por alagamentos em Caieiras e Santa Gertrudes e pela queda de uma árvore em Tatuí. De acordo com o órgão, não havia opções de desvio nos trechos totalmente interditados. Outras sete rodovias apresentavam restrições parciais, com circulação pelo sistema pare e siga.
Na Rodovia Oswaldo Cruz (SP-125), deslizamentos de terra em São Luiz do Paraitinga comprometeram diferentes pontos da pista. Equipes municipais trabalhavam na limpeza dos trechos afetados. Também houve interdições parciais em rodovias nas regiões de Botucatu e Monteiro Lobato, entre outras localidades.
A concessionária Eixo SP informou ainda a interdição preventiva da Serra de Santa Maria, na SP-304, entre os quilômetros 227 e 240. O bloqueio foi iniciado às 3h22 de domingo em razão do volume de chuva, conforme os protocolos de segurança da concessionária.
No transporte ferroviário, a Linha 7-Rubi teve a circulação interrompida entre as estações Botujuru e Campo Limpo Paulista, das 5h09 às 9h22, por causa de um alagamento. A concessionária TIC Trens acionou o sistema de ônibus de apoio Paese durante a ocorrência.
A Linha 9-Esmeralda também enfrentou restrições temporárias, operando em via única entre Santo Amaro e João Dias devido ao acúmulo de água. Segundo a ViaMobilidade, a circulação já havia sido normalizada no momento da divulgação do boletim.
Defesa Civil mantém alerta para novos temporais em São Paulo

A previsão de continuidade das instabilidades levou a Defesa Civil a manter o alerta laranja em todo o estado de São Paulo neste domingo. A atenção se concentra especialmente na faixa leste paulista, onde estão a Região Metropolitana, a Baixada Santista, o Litoral Norte e o Vale do Ribeira.
O governo de São Paulo informou a emissão de 32 alertas meteorológicos até o começo da tarde. O detalhamento apresentado no boletim, entretanto, menciona 29 mensagens por SMS e duas por Cell Broadcast, somando 31 avisos. A diferença entre o total divulgado e a distribuição por modalidade não foi esclarecida no comunicado.
As mensagens encaminhadas à população alertam para chuva intensa, descargas elétricas e rajadas de vento, além de orientar os moradores a procurar abrigo e evitar situações de risco.
O Gabinete Especial da Operação El Niño permanece mobilizado no Centro de Gerenciamento de Emergências para acompanhar as condições meteorológicas e coordenar as respostas às ocorrências. Equipes estaduais e municipais também monitoram rios, encostas e áreas sujeitas a inundações.
Diante da possibilidade de novos temporais, a recomendação é evitar atravessar ruas alagadas ou córregos, não se abrigar debaixo de árvores durante tempestades e acompanhar os comunicados oficiais da Defesa Civil. Em situações de emergência, o atendimento pode ser solicitado pelo telefone 199, da Defesa Civil, ou 193, do Corpo de Bombeiros.