CET estima custo de R$ 180 milhões para o Tarifa Zero em Santos

Presidente da companhia aponta que a Tarifa Zero exigiria aporte mensal de até R$ 15 milhões e propõe financiamento compartilhado.

Crédito: Francisco Arrais/PMS

A implementação da Tarifa Zero no sistema de transporte público municipal de Santos custaria aproximadamente R$ 180 milhões por ano aos cofres públicos. A estimativa foi apresentada pelo presidente da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET-Santos), Antônio Carlos Silva Gonçalves, durante audiência pública realizada na Câmara Municipal para prestação de contas do primeiro trimestre de 2026. Segundo o dirigente, o impacto mensal para manter a gratuidade total variaria entre R$ 12 milhões e R$ 15 milhões.

Tarifa Zero em Santos? Saiba como o modelo deve ser implementado

Atualmente, a Prefeitura de Santos já subsidia cerca de 39% do valor da passagem de ônibus, que está congelada em R$ 5,25 desde 2024. Esse aporte mensal supera os R$ 4 milhões. Gonçalves alertou que, caso o valor da tarifa permaneça inalterado até o final do atual mandato, o percentual de subsídio deve subir para 51%. Um dos fatores que pressionam os custos do sistema é a redução acentuada no volume de passageiros: em 2015, a rede transportava 3,2 milhões de pessoas por mês, número que caiu para 1,7 milhão atualmente.

Como alternativa para viabilizar a Tarifa Zero, a presidência da CET-Santos reforçou a sugestão de um modelo de financiamento tripartite. A proposta prevê que o custo da gratuidade seja dividido igualmente entre o município, o estado e a União, aliviando o orçamento local. O debate sobre a viabilidade do Tarifa Zero continua na Câmara, onde tramitam projetos de lei sobre o tema, enquanto o governo municipal busca estratégias para manter o equilíbrio financeiro do contrato de concessão sem repassar novos custos aos usuários.

Além do Tarifa Zero, o que foi discutido?

A audiência pública na Câmara Municipal, conduzida pelo vereador Benedito Furtado (PSB), presidente da Comissão de Finanças e Orçamento (CFO), não se limitou ao debate sobre a Tarifa Zero. O encontro também serviu como palco para discutir problemas crônicos que afetam a mobilidade urbana de Santos, incluindo o furto de cabos e equipamentos de sinalização, além de críticas diretas à legislação federal que regula o uso de bicicletas e patinetes elétricos nas calçadas e ciclovias da cidade.

O presidente da CET-Santos, Antônio Carlos Silva Gonçalves, destacou a dificuldade em fiscalizar infrações de motociclistas, revelando que 25% da frota de motos em circulação no município está com o licenciamento atrasado. Essa irregularidade reduz a eficácia do monitoramento por radares, o que tem levado a companhia a intensificar operações de bloqueio físico em conjunto com a Polícia Militar.

Durante a sessão, os vereadores Allison Sales (PL), Rafael Pasquarelli (União Brasil) e Rui De Rosis Jr. (PL) cobraram melhorias na pavimentação asfáltica e a instalação estratégica de “lombofaixas” em perímetros escolares. Outra demanda urgente apresentada foi o combate à atuação irregular de “flanelinhas” em dias de eventos esportivos na cidade.

Um ponto de convergência entre o Legislativo e a CET foi o fim das interdições em grandes avenidas para eventos sociais ou esportivos. O vereador Benedito Furtado criticou o impacto dessas interrupções no fluxo principal da cidade, sendo prontamente atendido pelo presidente da companhia, que garantiu que futuros bloqueios serão direcionados exclusivamente para ruas secundárias, preservando a fluidez dos corredores arteriais de Santos.

  • Publicado: 01/05/2026 12:18
  • Alterado: 01/05/2026 12:18
  • Autor: Gabriel de Jesus
  • Fonte: ABCdoABC