Centro do Rio tem 3,7 mil moradias e novos negócios
Centro do Rio de Janeiro tem 3,7 mil unidades residenciais prontas ou em obras e recebe novos restaurantes, hotéis e empreendimentos
- Publicado: 06/09/2026 11:51
- Alterado: 06/09/2026 11:51
- Autor: Gabriel de Jesus
- Fonte: Diário do Rio
O centro do Rio de Janeiro passa por uma transformação no mercado imobiliário e na ocupação urbana, com o avanço de novos empreendimentos residenciais e a chegada de restaurantes, espaços culturais e projetos de hospedagem. Segundo dados do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon), cerca de 3,7 mil unidades residenciais estão prontas ou em obras na região.
O número faz parte de um universo de 8.903 unidades licenciadas entre 2021 e julho de 2026, período marcado por iniciativas destinadas a estimular a ocupação residencial do Centro.
A mudança ocorre depois de anos de esvaziamento provocado pela pandemia de Covid-19 e pelos efeitos da crise econômica iniciada em 2013. Agora, a chegada de novos moradores e turistas começa a estimular também a abertura de negócios.
Centro do Rio ganha novos empreendimentos residenciais
Um dos exemplos da transformação do Centro do Rio está na Rua Sete de Setembro. O antigo Shopping Vertical, que chegou a abrigar 64 lojas, passa por uma reforma para se tornar um residencial com 172 estúdios, com unidades de 28 a 40 metros quadrados.
Os apartamentos foram vendidos ainda na planta, com preços a partir de R$ 360 mil. A previsão é que as obras sejam concluídas em 18 meses.
O imóvel está próximo do Aeroporto Santos Dumont e também possui acesso facilitado ao metrô, características apontadas pelos responsáveis pelo empreendimento como vantagens para moradores e turistas.
Outro projeto é o Connect Square, na Rua São José, próximo ao Buraco do Lume. O prédio de uso misto terá 584 unidades, a maioria já comercializada, e a previsão é de que as obras comecem em janeiro.
Investidores são maioria entre compradores
De acordo com o presidente do Sinduscon, Claudio Hermolin, os investidores representam cerca de 60% dos compradores das unidades residenciais consideradas no levantamento.
Os demais compradores buscam os imóveis para moradia própria.
A avaliação do setor é que, conforme os atuais estoques de estúdios forem sendo absorvidos, a tendência é de aumento na oferta de apartamentos maiores no Centro da cidade.
Restaurantes acompanham transformação do Centro do Rio
A chegada de moradores e turistas também impulsiona a gastronomia. Na região do Beco das Sardinhas, o empresário Raphael Vidal prepara quatro novos restaurantes.
O Bife Gracioso e o Pensão têm inauguração prevista para setembro, enquanto o Fumeiro Santa Rita e o Galeto Comendador devem abrir em outubro.
A proposta é recuperar referências da culinária tradicional carioca e ocupar imóveis históricos que estavam subutilizados.
Na Rua do Lavradio, o gastrobar Casa Jovê será instalado no térreo de um imóvel restaurado. O espaço terá foco na culinária brasileira, enquanto o segundo andar deverá receber o Pérola, com apresentações musicais e exposições a partir de novembro.
Rua do Senado também recebe novos negócios
Na Rua do Senado, dois restaurantes estão em fase final de obras em um casarão restaurado. O Madame Lee será voltado à culinária asiática, enquanto o Feline terá foco em vinhos e pratos mediterrâneos. As inaugurações estão previstas para outubro.
A região também ganhou o Quintal da Clementina, espaço dedicado à gastronomia e ao samba, com rodas tradicionais programadas semanalmente.
O movimento acompanha a recuperação de imóveis históricos e a transformação de antigos casarões em espaços de convivência, gastronomia e entretenimento.
Centro do Rio também atrai projetos de hospedagem
A transformação do Centro do Rio não se limita às moradias. A Lapa também passou a atrair investimentos ligados ao setor de hospedagem.
A Glória Participações, que já administra um hotel na região, planeja abrir em 2027 um hostel com 120 camas na Rua Mem de Sá.
O grupo ainda possui outros imóveis na Lapa e avalia novos projetos para a região.
Outro terreno, de aproximadamente 3,3 mil metros quadrados, na Rua Teotônio Regadas, ao lado da Escadaria Selarón, também despertou o interesse de investidores, que estudam a possibilidade de construir um empreendimento residencial.
A expectativa é que o crescimento do fluxo de moradores e visitantes fortaleça também o comércio e os serviços.
Novos negócios dependem da chegada de moradores
Um exemplo dessa relação é a abertura de uma unidade da padaria artesanal Grão Napoli, no térreo do Shopping Paço do Ouvidor.
O estabelecimento abriu há cerca de 40 dias e aposta justamente no crescimento do número de moradores e turistas no Centro do Rio.
A avaliação é que os negócios precisam de uma demanda que vá além do público tradicional formado por trabalhadores que circulam pela região durante o expediente.
Vacância comercial ainda preocupa
Apesar dos novos investimentos, o Centro do Rio ainda enfrenta uma alta quantidade de imóveis comerciais vazios.
Dados da Associação Brasileira de Administradores de Imóveis (Abadi) apontam que 33% das 22,6 mil salas comerciais da região estão desocupadas, o equivalente a aproximadamente 7,4 mil unidades.
O percentual, contudo, representa melhora em relação a 2021, quando a vacância alcançava 40%.
Para o presidente da entidade, Marcelo Borges, o Centro poderá atingir seu melhor nível de ocupação nos próximos cinco a sete anos, conforme os novos residenciais sejam concluídos e tragam profissionais liberais e prestadores de serviços para a região.
Reviver Centro impulsiona transformação
Boa parte da transformação do Centro do Rio está relacionada ao Reviver Centro, programa lançado pela Prefeitura em 2021 para estimular a produção de moradias e a recuperação da área central.
A mudança de imóveis comerciais para residenciais é uma das principais características desse processo. Ao mesmo tempo, a recuperação de casarões históricos abre espaço para restaurantes, centros culturais e outros negócios.
O movimento cria uma nova dinâmica para o Centro do Rio, que busca deixar de ser uma região predominantemente ocupada durante o horário comercial para se tornar também um local de moradia, lazer, gastronomia e hospedagem.
Desafio agora é consolidar a ocupação
Apesar do avanço de novos projetos, a transformação ainda está em andamento. A existência de milhares de unidades comerciais vazias mostra que a recuperação econômica e urbana do Centro do Rio ainda enfrenta obstáculos.
Custos de manutenção, condomínios elevados e dificuldades relacionadas à situação de alguns imóveis históricos continuam sendo entraves para a ocupação.
A expectativa do mercado é que a chegada de novos moradores ajude a criar demanda suficiente para movimentar também as áreas comerciais, fortalecendo um ciclo de recuperação que já começa a alterar a paisagem e a rotina do Centro do Rio.