Célia Xakriabá defende meio ambiente no Festival da Onça

Deputada federal relaciona preservação de rios ao direito ao lazer e apoia criação de parque comunitário durante o Festival da Onça

Crédito: Isis Medeiros

A deputada federal Célia Xakriabá participou do encerramento da terceira edição do Festival da Onça, no bairro Novo Aarão Reis, na Região Norte de Belo Horizonte. Durante a agenda pública, a parlamentar relacionou a luta pela recuperação do Ribeirão Onça à defesa dos territórios tradicionais, dos recursos hídricos e do direito constitucional das comunidades a um meio ambiente equilibrado. A mobilização comunitária defende diretamente a implantação de um Parque Ciliar Comunitário na região.

No evento, Célia discursou sobre o valor ecológico e espiritual das águas para a população. “A cachoeira é mulher, é como se fosse uma mulher grávida. E, quando adoece a cachoeira, adoece todo o corpo das mulheres, das meninas, das crianças e de todas as pessoas. A terra é feminina, o rio é pai, mas, na verdade, o rio também é mulher. A cachoeira também é mulher, é como se fosse um peito coletivo que amamenta coletivamente a humanidade”, afirmou a parlamentar.

Mobilização comunitária e cultura no Festival da Onça

Com o tema “Viver a Cachoeira da Onça“, o Festival da Onça reuniu oficinas, mutirões, educação ambiental e manifestações culturais em torno da bacia hidrográfica local. As atividades começaram no Campo de Futebol Novo Aarão Reis com a performance “Nascimento da Onça“, seguida por um cortejo até o Mirante da Cachoeira. A caminhada conectou-se com a cosmologia do povo indígena Xakriabá, associando a figura do felino à coragem, ancestralidade e proteção territorial.

A deputada destacou a necessidade urgente de transformação no comportamento humano e na relação com os ecossistemas urbanos. “Nós estamos aqui porque acreditamos na revitalização do Onça. Mas nós falamos que o desmatamento começa dentro das pessoas. Uma pessoa, um sistema que joga esgoto no Onça está, na verdade, contaminado por dentro. Uma pessoa que mata a Serra do Curral está desmatada por dentro. Por isso, nós temos o desafio de reflorestar não somente fora das pessoas”, declarou Célia.

Pauta social e sustentabilidade integrada

A programação do Festival da Onça também debateu a intersecção entre preservação ambiental e direitos trabalhistas. A parlamentar vinculou a recuperação dos rios à qualidade de vida das periferias e à discussão nacional pelo fim da jornada de trabalho em escala 6×1. Ao defender a redução do tempo trabalhado, ressaltou que os trabalhadores precisam de espaços naturais limpos para desfrutarem do tempo livre de forma plena.

“O fim da escala 6×1 é para ter direito de banhar, de passear na cachoeira. Mas não é para quando a cachoeira estiver morta”, pontuou Célia durante sua passagem pela festividade. Após os pronunciamentos, a deputada integrou o Banquete Primavera, refeição coletiva preparada com alimentos orgânicos cultivados em hortas comunitárias do Baixo Onça.

Realizado ao longo de cinco dias, o Festival da Onça consolida um processo histórico de engajamento social. A iniciativa busca revitalizar o ecossistema do Ribeirão Onça e garantir a transformação gradual de suas margens em áreas acessíveis de convivência, lazer e preservação ecológica.

  • Publicado: 15/09/2026 14:34
  • Alterado: 15/09/2026 14:35
  • Autor: Gabriel de Jesus
  • Fonte: Assessoria