CDHU avalia modelo do Vida Longa em São Paulo
Estudo da FIPE e da CDHU analisa avanços no programa Vida Longa, focado na vulnerabilidade e inclusão social de idosos no estado
- Publicado: 29/09/2026 22:21
- Alterado: 29/09/2026 22:21
- Autor: Gabriel de Jesus
- Fonte: Assessoria
A política habitacional destinada à população idosa do Estado de São Paulo passou por uma análise detalhada em estudo conduzido pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano, a CDHU, em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE). O levantamento avaliou a abrangência e a funcionalidade do Programa Vida Longa, iniciativa que aperfeiçoou o antigo Vila Dignidade para oferecer moradia gratuita, assistida e focada no resgate do senso de comunidade para pessoas com mais de 60 anos.
Atualmente, a CDHU contabiliza 53 convênios assinados e 1.262 unidades habitacionais entregues em solo paulista. O levantamento traçou o perfil dos atendidos: a idade média dos beneficiários é de 69,6 anos, dos quais 58% são homens e 42% são mulheres. A vulnerabilidade social é um dos pontos centrais atendidos pela CDHU, destacando que 9,52% dos beneficiários são oriundos da população em situação de rua, representando cerca de um em cada dez idosos acolhidos pelo projeto.
Perfil dos beneficiários e distribuição nos municípios
O estudo revela dados importantes sobre a localização e a renda dos participantes. Do total de empreendimentos viabilizados pela CDHU, 49% estão situados em áreas periféricas e 69% em bairros residenciais. A renda média geral dos beneficiários atinge R$ 1.589,79, respeitando o teto de dois salários mínimos estipulado pelas regras do programa.
Renda média por município
Os maiores valores médios apurados no levantamento foram registrados nas seguintes cidades:
- Santa Bárbara d’Oeste: R$ 2.047,58
- Barretos: R$ 1.877,41
- Tietê: R$ 1.860,91
- Garça: R$ 1.839,21
O relatório aponta ainda que o porte populacional das cidades não determina de forma isolada o nível de envelhecimento dos moradores. Em municípios de até 25 mil habitantes, a média de idosos é de 19,78%, com índice de envelhecimento de 113,33. Já em grandes centros, com mais de 900 mil habitantes, a média cai para 16,62% e o índice de envelhecimento fica em 94,47.
A participação no mercado de trabalho também varia segundo a estrutura urbana. Em cidades menores (até 25 mil habitantes), apenas 18,20% dos idosos estão ocupados e 81,48% fora da força de trabalho. Nas metrópoles acima de 900 mil habitantes, a parcela de idosos ocupados sobe para 22,16%, deixando 77,03% fora da população ocupada.
Custos de produção e referências internacionais
O custo por unidade habitacional construída pela CDHU no âmbito do programa apresentou variações nos últimos anos. Em 2023, o custo médio por unidade foi de R$ 196 mil, subindo para R$ 207 mil em 2024 e se ajustando em R$ 200 mil em 2025.
Para fundamentar as diretrizes de acolhimento, o relatório identificou modelos nacionais e internacionais de sucesso. Entre os destaques internacionais estão o empreendimento Appleby Blue, em Londres (vencedor do prêmio RIBA Stirling em 2025 com 55 unidades), e os projetos De Drie Hoven e De Overloop, nos Países Baixos, conhecidos pela integração progressiva entre moradia e serviços de saúde. No Brasil, o estudo citou as Repúblicas para Idosos de São João da Boa Vista, o Conjunto Habitacional para Melhor Idade em Tupã, o projeto Brasil 500 Anos em Tarumã e o programa Cidade Madura na Paraíba.
Como funciona a gestão do programa Vida Longa
Originado do antigo Vila Dignidade (criado em 2009 e responsável por 356 unidades entregues), o programa foi reformulado em 2019 como Vida Longa e fortalecido a partir de 2023. Somente entre 2023 e 2024, novos aportes permitiram entregar 22 conjuntos e beneficiar 580 idosos, ultrapassando a marca de 930 pessoas atendidas.
“O programa tem por objetivo implantar equipamento comunitário de moradia assistida e gratuita, visando à oferta de serviço socioassistencial de acolhimento em República, voltado a pessoas idosas em situação de vulnerabilidade e risco social.”
A execução do programa envolve uma atuação conjunta entre diferentes esferas:
- Secretaria Estadual de Desenvolvimento Urbano e Habitação (SDUH): Responsável pela destinação de recursos, análise documental e fiscalização global.
- CDHU: Encarregada de elaborar os projetos, contratar e fiscalizar as obras, fornecer o mobiliário e prestar contas.
- Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social (SEDS): Responsável por definir diretrizes socioassistenciais, capacitar e monitorar os serviços.
- Prefeituras Municipais: Garantem a doação dos terrenos, a aprovação dos projetos, a indicação dos beneficiários e a manutenção contínua das moradias e serviços integrados.
A atuação integrada garante que a CDHU continue expandindo a infraestrutura voltada à habitação social e à proteção da população idosa em todo o Estado de São Paulo.