CCBB SP recebe Festival de Cinema Italiano em novembro
Com entrada gratuita, 21ª edição do Festival de Cinema Italiano exibe 14 produções inéditas e obras de Fellini e Rossellini no CCBB SP durante o mês de novembro
- Publicado: 30/10/2026 10:44
- Alterado: 30/10/2026 10:44
- Autor: Daniela Ferreira
- Fonte: PMSCS
O Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo (CCBB SP) recebe, entre os dias 5 e 30 de novembro de 2026, a programação presencial da 21ª edição do tradicional Festival de Cinema Italiano no Brasil.
A mostra chega a mais de duas décadas de existência consolidada como uma das principais pontes audiovisuais entre os dois países, estruturando um intercâmbio contínuo entre obras consagradas do patrimônio histórico e lançamentos recém-saídos do circuito internacional.
Com ingressos totalmente gratuitos, o festival operará em formato híbrido e capilarizado por todo o território nacional. A rede de exibição abrange mais de 120 salas de cinema distribuídas por 90 cidades brasileiras, paralelamente à disponibilização de filmes via streaming acessíveis pelo site oficial do evento.
Na capital paulista, a sala do CCBB SP concentrará 21 produções com exibições diárias, excetuando-se as terças-feiras, período em que o centro cultural permanece fechado para manutenção.

O recorte curatorial selecionado para esta edição organiza a tela como um atalho geográfico e dramático, investigando a relação intrínseca entre os espaços urbanos, a arquitetura regional e as complexidades sociais da Itália.
A programação foi segmentada em duas faixas temáticas principais, reunindo 14 títulos inéditos nos cinemas brasileiros e sete filmes clássicos em sessões comemorativas de retrospectiva.
Destaques da safra contemporânea de inéditos
Entre os longas-metragens inéditos que chegam diretamente de prestigiados festivais, como a Mostra Internacional de Cinema de Veneza, destaca-se “Travessura” (Scherzetto), nova produção do cineasta Mario Martone.
Inspirado nas páginas do escritor Domenico Starnone, o filme apresenta o aclamado ator Toni Servillo no papel de um avô acostumado ao isolamento e à solidão que se vê confinado em um apartamento diante da energia de seu neto pequeno, interpretado por Lorenzo Perrotta, resultando em um sensível embate geracional.
A programação inédita do festival abrange ainda diferentes vertentes e gêneros cinematográficos contemporâneos, desde thrillers psicológicos e dramas de cunho político até comédias de costumes.
Um dos destaques dramáticos é o suspense “A Lição” (La Lezione), de Stefano Mordini, estrelado por Matilda De Angelis e Stefano Accorsi, que retrata a desestabilização da vida de uma advogada após aceitar a defesa de um professor acusado de violência sexual.

No campo da reconstituição histórica, “Elena do Gueto” (Elena del Ghetto), dirigido por Stefano Casertano e protagonizado por Micaela Ramazzotti, resgata a trajetória verídica de Elena Di Porto na resistência judaica em Roma contra a ocupação nazifascista entre 1938 e 1943.
Já “Na Festa da Revolução: O Poeta e a Espiã” (Alla Festa della Rivoluzione), de Arnaldo Catinari, reconstitui a conspiração de 1919 em torno do poeta Gabriele D’Annunzio às vésperas da ascensão do fascismo.
As comédias contemporâneas também compõem a grade com reflexões sobre o cotidiano familiar e espiritual. O ator e diretor Pierfrancesco Diliberto (Pif) assina “Que Deus Perdoe a Todos” (Che Dio Perdona a Tutti), que narra a farsa de um homem ateu fingindo devoção para conquistar uma mulher católica.
A lista inclui ainda “Vamos Trabalhar Como Gente Grande” (Lavoreremo da Grandi), de Antonio Albanese, e “Vamos Dar um Tempo” (Prendiamoci una Pausa), dirigido por Christian Marazziti, que disseca o desgaste amoroso em três gerações distintas.
Completam os inéditos produções como o drama familiar milanês “O Som das Coisas Novas” (Il Rumore delle Cose Nuove), de Paolo Genovese; as tensões no Marrocos em “As Coisas Não Ditas” (Le Cose Non Dette), de Gabriele Muccino; o drama existencial “Idda”, de Irene Dionisio, gravado no vulcão Etna; além de “Baracoa”, “O Filho Desejado” e “A Vida é Assim”.
Retrospectiva “Itália em Cena” revisita mestres
A faixa histórica do festival recebeu o subtítulo “Itália em Cena” e propõe revisitar obras-primas nas quais paisagens litorâneas, ilhas vulcânicas e metrópoles deixam de ser simples panos de fundo para assumir a condição de personagens ativos dos conflitos humanos.
O festival apresenta duas obras capitais de Federico Fellini: o marco moderno “A Doce Vida” (La Dolce Vita, 1960), que eternizou Marcello Mastroianni e Anita Ekberg na Via Veneto romana, e o clássico melancólico “Os Boas-Vidas” (I Vitelloni, 1953), crônica afiada sobre o ócio de rapazes provincianos no litoral italiano.
A relação visceral com o território também guia as obras dirigidas por Roberto Rossellini e estreladas pela atriz Ingrid Bergman.
O público poderá conferir na tela grande o drama áspero “Stromboli” (Stromboli, Terra di Dio, 1950), rodado sob a fumaça de um vulcão ativo no sul italiano, e o intimista “Viagem à Itália” (Viaggio in Italia, 1954), marco neorrealista que retrata a dissolução do casamento de um casal burguês cercado pelas ruínas e pelo misticismo da região de Nápoles.
A seleção histórica se completa com “Arroz Amargo” (Riso Amaro, 1949), de Giuseppe De Santis, que denunciou a exploração do trabalho feminino nas lavouras do Piemonte com Silvana Mangano e Vittorio Gassman; “A Provinciana” (La Provinciale, 1953), drama psicológico de Mario Soldati baseado em Alberto Moravia e estrelado por Gina Lollobrigida; e a monumental adaptação literária de 1941 de “Os Noivos” (I Promessi Sposi), dirigida por Mario Camerini a partir da obra de Alessandro Manzoni.
Serviço:
- Período: De 5 a 30 de novembro de 2026
- Horários: Sessões diárias à tarde e à noite (fechado às terças-feiras)
- Local: Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo (CCBB SP)
- Endereço: Rua Álvares Penteado, 112 — Centro Histórico, São Paulo/SP
- Ingressos: Gratuitos (liberados a partir das 9h do dia de cada sessão na bilheteria física ou pelo site)
- Classificação Indicativa: De livre a 18 anos (especificada por título na programação)
Destaques da Programação Presencial:
- Inéditos: “Travessura” (Mario Martone / com Toni Servillo), “A Lição” (Stefano Mordini), “O Som das Coisas Novas” (Paolo Genovese), “Elena do Gueto” (Stefano Casertano), “Que Deus Perdoe a Todos” (Pif)
- Retrospectiva (“Itália em Cena”): “A Doce Vida” e “Os Boas-Vidas” (Federico Fellini), “Stromboli” e “Viagem à Itália” (Roberto Rossellini), “Arroz Amargo” (Giuseppe De Santis), “A Provinciana” (Mario Soldati), “Os Noivos” (Mario Camerini)