Cármen Lúcia diz que Bolsonaro não pode alegar desconhecimento do golpe

Ministra cita lei de 2021 que define crimes de golpe e responsabiliza os réus pela assinatura

Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

No recente julgamento relacionado à suposta trama golpista no Brasil, a Ministra Cármen Lúcia fez uma introdução contundente ao relembrar o contexto histórico dos golpes no país, afirmando que “pulsa o Brasil que me dói“. Durante sua leitura do voto, ela enfatizou a responsabilidade dos réus, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ressaltando que os mesmos não podem alegar ignorância sobre a legislação pertinente.

Cármen Lúcia trouxe à tona a lei sancionada em 2021, que define claramente os crimes de golpe de Estado e a abolição do Estado democrático de Direito, destacando que os quatro réus da ação penal foram responsáveis por essa mesma assinatura. “Quem assina a lei 14.197 são quatro dos oito réus nesta ação penal: Jair Messias Bolsonaro, Anderson Torres, Walter Souza Braga Netto e Augusto Heleno“, afirmou, reforçando que não há espaço para alegações de desconhecimento.

A expectativa de condenação se torna evidente à medida que a ministra delineia seu raciocínio jurídico. A análise de Cármen Lúcia sugere um cenário onde a culpa dos réus é inegável, sendo um desfecho amplamente antecipado tanto pelos observadores jurídicos quanto pelo público.

O eventual veredito contra Bolsonaro poderá selar seu destino político e legal, enquanto Cristiano Zanin deverá dar seguimento às implicações da decisão. Por outro lado, Luiz Fux, integrante da Primeira Turma, poderá se encontrar isolado em sua posição, já que absolveu alguns réus, exceto o delator Mauro Cid, provocando uma onda de críticas à sua postura.

A ministra também frisou que os acusados não podem contestar os limites legais referentes aos crimes contra o Estado democrático de Direito devido ao seu papel ativo na criação da legislação que agora utilizam como defesa. O julgamento não apenas representa um marco jurídico significativo, mas também reflete a luta contínua pela manutenção das instituições democráticas no Brasil.

  • Publicado: 11/09/2025 15:54
  • Alterado: 11/09/2025 15:54
  • Autor: 11/09/2025
  • Fonte: FOLHAPRESS