Capela do Cristo Operário no Ipiranga vira patrimônio
Com obras de Volpi e Burle Marx, Capela do Cristo Operário no Ipiranga é reconhecida como patrimônio cultural nacional em reunião do Iphan
- Publicado: 22/09/2026 18:37
- Alterado: 22/09/2026 18:37
- Autor: Daniela Ferreira
- Fonte: Assessoria
O Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) aprovou, nesta terça-feira (22), durante sua 114ª reunião ordinária em Brasília, o tombamento federal da Capela do Cristo Operário, de seu acervo de bens móveis integrados e dos galpões remanescentes da antiga Fábrica Unilabor. O conjunto arquitetônico fica na Vila Brasília Machado, no bairro do Ipiranga, Zona Sul da capital paulista.
O bem foi inscrito nos Livros do Tombo Histórico e de Belas Artes do Iphan. O ato consolida a proteção do espaço em âmbito nacional, complementando os tombamentos já vigentes nas esferas municipal (Conpresp, em 2004) e estadual (Condephaat, em 2004).
Fé, vanguarda e acervo do modernismo brasileiro
Erguida na década de 1950 a partir da adaptação de um armazém industrial, a capela é considerada um marco inaugural da arquitetura e arte sacra moderna no Brasil. O templo nasceu diretamente vinculado à Unilabor, fábrica de móveis autogestionária idealizada pelo frei dominicano João Batista, que buscava unir a organização comunitária do trabalho ao design moderno.

O inventário tombado pelo Iphan reúne 46 itens de valor artístico inestimável, assinados por ícones do modernismo nacional:
- Alfredo Volpi: Pintou os painéis a têmpera do altar (A Sagrada Família, Cristo Operário e Santo Antônio Pregando aos Peixes) e desenhou os vitrais dos quatro evangelistas dispostos na nave.
- Roberto Burle Marx: Projetou o jardim integrado ao entorno da capela.
- Geraldo de Barros: Assinou vitrais e peças de marcenaria da Unilabor.
- Yolanda Mohalyi: Respondeu pelas têmperas do batistério e pelo afresco do Caminho de Emaús na sacristia.
- Elisabeth Nobling: Projetou a pia batismal, castiçais e luminárias em cerâmica vitrificada.
- Outros artistas: O acervo inclui ainda obras de Moussia Pinto Alves, Robert Tatin, Giandomenico de Marchis e Giuliana Segre Giorgi.
Diretrizes de preservação e proteção do entorno
O parecer técnico aprovado pelo Iphan estabelece critérios diferenciados de preservação para os elementos do complexo industrial e religioso:
- Preservação Integral: Aplica-se ao edifício da capela, ao muro e portão frontais e ao jardim de Burle Marx, para o qual se recomenda a recomposição do traçado original.
- Preservação de Volumetria e Fachadas: Aplica-se aos galpões remanescentes da fábrica e à antiga Casa do Capelão, permitindo adaptações internas para novos usos culturais ou comunitários.
- Proteção do Entorno: Estudos de insolação anexados ao processo fixam limites de gabarito (altura) para novos edifícios na vizinhança imediata, evitando o sombreamento dos vitrais de Volpi e controlando problemas de umidade. Ficou proibida também a utilização de estacas cravadas por percussão nas obras de fundação do entorno, prevenindo abalos estruturais no templo histórico.
“O tombamento é imperioso para que não apenas a comunidade possa praticar sua fé, mas também fomentar o convívio livre e resgatar o que este bem representa como perspectiva de país”, declarou o relator do processo, conselheiro Eduardo Pierroti Rossetti.