Candidatos do PSDB relatam revolta por falta de dinheiro

Integrantes da chapa paulista denunciam escassez de repasses partidários para as campanhas. Quase metade do grupo segue sem nenhum apoio financeiro

Crédito: (Divulgação)

Os candidatos do PSDB enfrentam um cenário de asfixia financeira na corrida eleitoral paulista. Mensagens de WhatsApp revelam forte indignação da chapa com a ausência de repasses partidários. A legenda prometeu estrutura inicial, mas entregou frustração generalizada.

Membros do partido trocam cobranças diárias nos bastidores. A base exige respostas rápidas. Sem caixa, muitos ameaçam abandonar a disputa.

“Piada. Quem faz campanha assim”, desabafou um dos postulantes em grupo restrito.

Outra integrante relata ter recebido uma cota de 20 mil santinhos físicos. Ela recusou o material. Faltam recursos básicos para pagar os cabos eleitorais responsáveis pela distribuição nas ruas.

A raiz do caixa vazio para candidatos do PSDB

Dirigentes estaduais correm para conter o princípio de motim. O presidente da sigla em São Paulo, Paulo Serra, busca viabilizar aportes emergenciais junto à cúpula em Brasília. A previsão inicial de fundo eleitoral caiu para apenas R$ 5 mil destinados aos quadros sem mandato.

O diretório estadual paulista recebeu cerca de R$ 6 milhões até agora. Esse montante representa 60% da expectativa inicial da coordenação de campanha. O próprio Paulo Serra afirma sentir o impacto do corte financeiro em sua candidatura à Câmara dos Deputados.

Fatores específicos secaram a fonte de recursos da legenda tucana em São Paulo. O comando partidário aponta quatro motivos principais para o desfalque:

  • Retenção de R$ 3 milhões devido a uma ação trabalhista antiga.
  • Direcionamento compulsório de 50% das verbas para candidaturas femininas.
  • Regra nacional que privilegia postulantes com mandatos em andamento.
  • Financiamento pesado de figuras históricas como Aécio Neves, Marconi Perillo e Ciro Gomes.

Metade da chapa segue sem repasses oficiais

A matemática eleitoral expõe o tamanho do rombo na base tucana. A Justiça Eleitoral registra números alarmantes sobre a distribuição de recursos. Mais da metade dos concorrentes segue zerada.

Dos 60 nomes que tentam vaga de deputado federal, 25 continuam sem receber um único centavo. A situação piora na disputa pela Assembleia Legislativa. Exatos 42 dos 70 concorrentes não viram a cor do dinheiro partidário.

Luciano Aquino, postulante a deputado estadual, narra quebras de acordo. Dirigentes prometeram R$ 30 mil durante as rodadas de filiação. O valor despencou para R$ 5 mil logo depois, e nenhum repasse caiu na conta oficial até o momento.

A candidata Elaine Amorim precisou recorrer a um empréstimo pessoal de R$ 25 mil para custear serviços de marketing. Ela recebeu apenas R$ 10 mil da legenda. O risco de endividamento afasta lideranças locais.

Disputa de caciques e o futuro dos candidatos do PSDB

A concentração de renda gera críticas abertas aos líderes da chapa. Filiados questionam os valores repassados ao presidente Paulo Serra e à sua esposa, Ana Carolina Serra, que tenta a reeleição na Alesp. Eles concentram cerca de 30% de todo o montante distribuído.

Paulo Serra embolsou R$ 595 mil da direção nacional. Ana Carolina recebeu R$ 375 mil da conta partidária. A base defende que políticos abastados utilizem recursos próprios para liberar o fundo público aos quadros menores.

O ex-prefeito de Santo André rebate as acusações de privilégio. Ele argumenta ter aberto mão de 40% da cota original a qual teria direito. A justificativa não acalma os ânimos de quem panfleta nas ruas sem retaguarda. Sem uma injeção imediata de capital, o partido corre o risco de perder dezenas de candidatos do PSDB antes mesmo de as urnas abrirem.

A reportagem procurou a campanha de Paulo Serra e questionou. Até a publicação dessa reportagem Paulo Serra não se manifestou.

  • Publicado: 12/09/2026 17:58
  • Alterado: 12/09/2026 18:21
  • Autor: Leonardo Nogueira
  • Fonte: Metrópoles