Caducidade de marcas deve bater recordes no Brasil

Aumento de registros e uso insuficiente de marcas tende a ampliar pedidos de caducidade e redesenhar a lógica concorrencial no país

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Nos próximos anos, o Brasil tende a registrar um aumento expressivo nos pedidos de caducidade de marcas. Esse movimento não acontece por acaso. Ele decorre de uma combinação entre maior volume de registros concedidos, amadurecimento do mercado e mudança de mentalidade dos empresários, que passam a enxergar a caducidade não como medida excepcional, mas como ferramenta estratégica de liberação de sinais indisponíveis.

Mais registros, mais disputas por uso real

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Durante muito tempo, muitas empresas registraram marcas de forma defensiva, preventiva ou até especulativa. Em vários casos, esses sinais foram concedidos, mas nunca efetivamente usados no mercado. Com a aceleração dos processos e a maior dinâmica do sistema, esse fenômeno tende a crescer ainda mais. Quanto mais registros concedidos, maior o número de marcas que, passados alguns anos, poderão ser questionadas por falta de uso real e contínuo.

Além disso, o ambiente empresarial está mais competitivo. Negócios digitais nascem com rapidez, novos players entram em nichos consolidados e a necessidade de encontrar nomes disponíveis se tornou um desafio cada vez maior. Nesse cenário, a caducidade de marcas passa a ser um caminho eficiente para remover barreiras artificiais criadas por registros ociosos.

A lógica é simples: não basta obter o direito. É preciso usá-lo. Uma marca concedida e abandonada não deve permanecer indefinidamente bloqueando o acesso de terceiros que têm interesse legítimo em atuar no mercado. Isso torna a caducidade um mecanismo importante de equilíbrio concorrencial.

Caducidade como instrumento de equilíbrio concorrencial

Marcas - Registros - Patentes - Propriedade Intelectual
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Com a concessão mais direta de pedidos aprovados e o aumento do estoque de marcas vigentes, o Brasil deve, de fato, bater recordes de pedidos de caducidade. Vencerá não apenas quem registra primeiro, mas quem consegue demonstrar uso efetivo, consistência comercial e gestão ativa do seu portfólio. Em um sistema mais maduro, marca sem uso deixa de ser patrimônio e passa a ser vulnerabilidade.

Luisa Caldas

Luisa Caldas
(Divulgação/ABCdoABC)

Especialista em propriedade intelectual e agente de transformação na valorização do conhecimento. Atualmente, é colunista da editoria Valor Intelectual no portal ABCdoABC. Atua como empresária e palestrante, com 26 anos de experiência na área. É pós-graduada em Propriedade Intelectual pela OMPI (Organização Mundial da Propriedade Intelectual). Responsável por mais de 10 mil marcas registradas e mais de 2 mil patentes no Brasil e no exterior. Sócia da Uniellas Marcas e Patentes e presidente do Instituto de Tecnologia e Inovação do Grande ABC.

  • Publicado: 15/04/2026 18:20
  • Alterado: 15/04/2026 18:20
  • Autor: Luisa Caldas
  • Fonte: ABCdoABC

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