Número de brasileiros com crédito ativo cresce 27% em 5 anos
Mercado financeiro registra expansão recorde de concessões na década, impulsionando o consumo e pressionando a renda das famílias.
- Publicado: 25/08/2026 07:15
- Alterado: 25/08/2026 07:15
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: Assessoria
O mercado financeiro brasileiro registrou um aumento expressivo no número de pessoas com crédito ativo na primeira metade da década. O país saltou para 122,8 milhões de consumidores com contratos vigentes em 2025. Esse montante representa um crescimento de 27% no acesso a recursos financeiros em comparação ao ano de 2021.
O estudo desenvolvido por Equifax BoaVista, Acordo Certo e CDL Porto Alegre mapeou o comportamento econômico recente. O saldo de todas as operações alcançou R$ 4,47 trilhões ao fim de 2025. Houve também um salto no volume de ligações comerciais, registrando 396,7 milhões de relacionamentos entre cidadãos e instituições credoras.
A injeção de capital transformou a percepção da população sobre o próprio poder de compra. Uma pesquisa associada ao levantamento mostra que 49,1% dos entrevistados consideram mais fácil conseguir aprovação de limite nos últimos cinco anos. A melhoria geral na vida financeira foi apontada por 48,8% das famílias consultadas.
O salto nos indicadores reflete uma mudança estrutural na economia brasileira. A manutenção de um crédito ativo e disponível virou pilar para a expansão do comércio varejista e dos serviços.
“O aumento do acesso representa uma evolução importante do mercado, porque amplia as possibilidades de consumo, investimento e realização de projetos pessoais”, afirma Henrique Moraes, CEO da Equifax BoaVista.
Como o avanço do crédito ativo impactou a renda
A democratização dos empréstimos exigiu maior disciplina financeira das famílias. Manter as contas em dia tornou-se um desafio estrutural para quem ganha até dois salários mínimos. A taxa de indivíduos inadimplentes subiu para 26,3% em 2025, ante os 19,9% registrados quatro anos antes.
O volume de dinheiro em atraso também disparou, alcançando R$ 177,6 bilhões em contas não pagas. O peso das dívidas no bolso do trabalhador atingiu níveis alarmantes no encerramento da pesquisa. O comprometimento de renda saltou de 70,3% para 81,1% na mesma janela de tempo.
A dependência do crédito ativo gerou um ciclo de endividamento rápido para parcelas vulneráveis da população. Esse cenário foi refletido no aumento de 39,8% no número de pessoas negativadas.
“A abertura dos dados mostra que a incidência é maior entre os mais jovens, prejudicados pelo menor tempo de experiência no mercado de trabalho e por rendimentos mais baixos”, explica Oscar André Frank Junior, economista-chefe da CDL Porto Alegre.
Percepção de risco pelo consumidor
A facilidade para obter dinheiro divide opiniões entre os brasileiros pesquisados. Enquanto metade celebra o poder de consumo, 72,3% dos cidadãos afirmam que ficou mais fácil se endividar. O choque de realidade obriga as instituições a calibrarem seus algoritmos de concessão para evitar uma crise sistêmica no longo prazo.
“Nosso mercado já é grande demais para ignorar o paradoxo da inclusão. Conhecer os consumidores e acompanhar suas mudanças de comportamento em tempo real exige cada vez menos esforço”, alerta Fernando Iódice, CEO da Acordo Certo.
Os próximos anos exigirão maturidade técnica das empresas financeiras e dos cidadãos. O uso de novas ferramentas orientadas por dados guiará as análises de risco. A consolidação econômica do país depende diretamente da capacidade de equilibrar a oferta abundante com a manutenção de um crédito ativo sustentável para todas as classes sociais.