Brasil terá supercomputador de IA com investimento de R$ 1 bilhão
O novo equipamento amplia a capacidade de processamento de dados do país e fortalece o desenvolvimento de tecnologia local.
- Publicado: 22/08/2026 12:06
- Alterado: 22/08/2026 12:06
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: Assessoria
O governo federal anunciou a instalação do novo supercomputador brasileiro, previsto para entrar em operação a partir de 2027. O projeto integra uma estratégia voltada à inteligência artificial e recebe um investimento inicial de R$ 1,06 bilhão. A máquina funcionará no Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo, localizado na cidade de Macaíba, no Rio Grande do Norte.
A infraestrutura adquirida por meio de edital público focará na criação e no treinamento de modelos avançados de tecnologia. O polo potiguar atenderá demandas de universidades, instituições de pesquisa e órgãos governamentais. “A expectativa é reduzir a dependência estrutural em relação a empresas estrangeiras no processamento de dados”, ressaltou o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.
Potência do supercomputador brasileiro
O supercomputador alocado na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) entregará uma capacidade de 7.200 petaflops. O volume indica que o sistema fará em apenas um segundo a mesma quantidade de cálculos que os 8 bilhões de habitantes da Terra levariam 29 anos para concluir.
Esse desempenho coloca o sistema entre as dez máquinas mais potentes do mundo dedicadas à área. A escolha da região Nordeste ocorreu em virtude do potencial energético local e da estratégia governamental de descentralizar o parque tecnológico nacional.
Expansão e parcerias no Rio de Janeiro
Um segundo polo de processamento iniciará as atividades no Rio de Janeiro, também em julho de 2027. A Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) estruturou uma cooperação técnica com as empresas de tecnologia chinesas Huawei e iFlyTek.
A operação fluminense receberá um investimento de R$ 1,276 bilhão durante cinco anos. O objetivo central envolve a criação de um modelo de linguagem semelhante ao ChatGPT. A meta é viabilizar soluções mais alinhadas à realidade cultural e idiomática do país.
Nuvem nacional e fabricação de chips
O avanço do supercomputador brasileiro complementa o desenvolvimento da chamada Nuvem Brasileira. O serviço público de armazenamento funcionará sob padrões abertos e interoperáveis, estruturado pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, junto ao Serpro e ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
O projeto de longo prazo engloba uma janela de 10 a 15 anos para fortalecer a fabricação nacional de processadores. O uso da arquitetura de código aberto RISC-V busca evitar monopólios corporativos na base do hardware. A iniciativa ocorre mediante cooperação técnica com o ecossistema de inovação de Barcelona, na Espanha.
Avaliação e transparência de sistemas
A política setorial criou o Centro Nacional de Transparência Algorítmica e IA Confiável, gerido pelo Centro de Pesquisa Aplicada em Inteligência Artificial da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O organismo manterá um perfil estritamente técnico e investigativo.
O núcleo monitorará eventuais falhas e riscos sociotécnicos sem poder de sanção ou aplicação de multas às empresas. As diretrizes do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) projetam investimentos de R$ 23 bilhões até 2028. O supercomputador brasileiro consolida esse cronograma ao entregar soberania digital a setores estratégicos como saúde, agricultura e prevenção de desastres.