Confiança nas instituições no Brasil permanece em 55 pontos, diz ICS

Índice de Confiança Social 2026 mostra que brasileiros seguem confiando mais em familiares e instituições ligadas à proteção, enquanto partidos políticos permanecem na última posição do ranking.

Crédito: Arquivo - Agência Brasil

O Índice de Confiança Social 2026 marca 55 pontos e evidencia um forte contraste na credibilidade das instituições no Brasil. O estudo realizado entre 4 e 8 de julho com duas mil pessoas aponta que a população confia prioritariamente em grupos familiares. As organizações ligadas à política ocupam o último lugar na percepção nacional.

A pesquisa mapeou 130 municípios brasileiros para atualizar o cenário social contemporâneo. Os dados mostram que a sociedade deposita 63 pontos de credibilidade nas pessoas próximas, superando a média geral das instituições, que estacionou nos 54 pontos.

A liderança histórica no Índice de Confiança Social

O Corpo de Bombeiros lidera o ranking nacional pelo 17º ano consecutivo e consolida 86 pontos no levantamento atual. A corporação militar mantém o status de organização com maior credibilidade do país.

As entidades associadas à educação, segurança e fé ocupam as posições seguintes na avaliação dos entrevistados. O topo do ranking institucional apresenta o seguinte cenário:

  • Corpo de Bombeiros: 86 pontos
  • Escolas públicas: 68 pontos
  • Polícia Federal: 66 pontos
  • Igrejas: 64 pontos
  • Forças Armadas: 63 pontos

A sociedade civil organizada, os meios de comunicação e o sistema público de saúde aparecem em um patamar intermediário de credibilidade. Todos esses setores registraram 54 pontos na pesquisa.

Política concentra a maior desconfiança do país

O distanciamento entre a população e o sistema representativo fica claro nos indicadores. O Índice de Confiança Social revela que o Congresso Nacional e o Governo Federal enfrentam sérias dificuldades para conquistar o apoio da sociedade.

Os Tribunais de Contas entraram na pesquisa pela primeira vez neste ano e registraram 49 pontos. As estruturas políticas e sindicais apresentam os piores desempenhos nacionais:

  • Partidos políticos: 30 pontos
  • Congresso Nacional: 34 pontos
  • Presidente da República: 42 pontos
  • Sindicatos: 42 pontos
  • Governo Federal: 46 pontos

Variações demográficas e regionais

Os níveis de credibilidade oscilam de acordo com a classe econômica e a geografia. As classes D e E registram 58 pontos na avaliação institucional geral, superando as classes mais ricas.

O Nordeste apresenta o maior Índice de Confiança Social no recorte regional, alcançando 59 pontos. Os moradores dessa região demonstram uma relação ligeiramente mais positiva com o sistema eleitoral e com a estrutura do poder executivo federal.

O perfil etário também molda a visão sobre as instituições brasileiras. Os jovens de 16 a 24 anos avaliam melhor as organizações civis e os bancos. Os idosos acima de 60 anos privilegiam o convívio com vizinhos e laços de sangue.

Relações pessoais ditam a segurança nacional

O núcleo familiar domina as estatísticas de proximidade com 80 pontos absolutos. Os amigos somam 63 pontos, garantindo a segunda posição na rede de apoio emocional e social dos brasileiros.

“O estudo revela que o Brasil não é um país sem confiança. Os brasileiros seguem confiando fortemente em pessoas próximas e em instituições associadas ao cuidado, à proteção e à educação”, afirmou a diretora da Ipsos-Ipec, Márcia Cavallari.

A executiva aponta a esfera pública como o grande gargalo da atualidade. A reconstrução da credibilidade exige que o atual Índice de Confiança Social sirva de alerta para lideranças políticas interessadas em reverter a desconexão histórica com o eleitorado.

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  • Publicado: 30/07/2026 12:37
  • Alterado: 30/07/2026 12:37
  • Autor: Thiago Antunes
  • Fonte: ICS