BNDES registra lucro de R$ 9,2 bi no 1º semestre
BNDES registra lucro recorrente de R$ 9,2 bilhões no 1º semestre de 2026. Entenda o impacto da atuação do BNDES no crédito e mercado financeiro
- Publicado: 12/08/2026 15:50
- Alterado: 12/08/2026 15:50
- Autor: Gabriel de Jesus
- Fonte: BNDES
O BNDES apurou lucro recorrente de R$ 9,2 bilhões no primeiro semestre de 2026, montante que representa uma alta de 25% na comparação com o mesmo período do ano anterior. No acumulado dos últimos 12 meses, o indicador atingiu R$ 17,1 bilhões. Os números do BNDES foram detalhados durante coletiva de imprensa realizada em São Paulo (SP) nesta quarta-feira (12), ocasião em que o balanço revelou marcas históricas, como o alcance de R$ 1,05 trilhão em ativos totais e R$ 181 bilhões em patrimônio líquido.
“É muito raro combinar essas condições: um consistente e acelerado crescimento do volume de crédito com uma rentabilidade que é a segunda maior do mercado financeiro”, afirmou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante. “Uma empresa 100% pública pode ser muito bem administrada, com muita eficiência e produtividade. Os empregados do BNDES são altamente qualificados e entregando resultados muito além de outras instituições”, ressaltou o executivo ao comentar o desempenho operacional da estatal.
Crescimento do crédito e aprovações operacionais
O desempenho operacional do BNDES nos primeiros seis meses deste ano registrou ritmo acelerado nas solicitações de financiamento, aprovações e liberação de recursos. O total de aprovações de crédito e operações garantidas subiu 19% em relação aos primeiros seis meses do exercício anterior.
Durante a apresentação dos dados, o diretor de Finanças e Mercado de Capitais do banco, Alexandre Abreu, ressaltou a injeção global de recursos na economia brasileira. De acordo com o executivo, o volume atingiu R$ 154 bilhões, sendo R$ 43,4 bilhões viabilizados por meio de garantias.
“São os créditos aprovados aqui no BNDES mais aquilo que o Banco, através da sua gestão do FGI [Fundo Garantidor de Investimento], consegue aprovar de crédito de outros bancos, de bancos comerciais no Brasil”, detalhou Abreu.
As aprovações diretas de crédito somaram R$ 110,6 bilhões no período, avanço de 52%. O segmento de infraestrutura liderou a expansão, com salto de 91% e volume de R$ 46 bilhões, seguido pelo setor agropecuário, que expandiu 46% e atingiu R$ 24,8 bilhões. A indústria demandou R$ 22,5 bilhões em aprovações (+24%), enquanto o comércio e serviços responderam por R$ 17,3 bilhões (+27%).
Apoio às MPMEs e alocação no PIB
O fomento do BNDES às micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) contabilizou R$ 108,2 bilhões na metade inicial do ano, uma elevação de 22% sobre a marca de R$ 88,8 bilhões do mesmo intervalo de 2025. O volume total desembolsado pelo banco público no semestre bateu R$ 74,8 bilhões (+37%), ao passo que as consultas dispararam 72%, chegando ao valor de R$ 237,7 bilhões.
O diretor de Planejamento e Relações Institucionais, Nelson Barbosa, contextualizou a representatividade dos números na atividade econômica nacional.
“As aprovações dos últimos 12 meses chegaram a 2,1% do PIB [Produto Interno Bruto]. Já os desembolsos, que representavam 1% do PIB há três anos, chegaram a 1,4% do PIB”, afirmou Barbosa. “É um impulso que chega aonde precisa. Chega à infraestrutura, à inovação, às MPME, e tem um grande impacto positivo no desenvolvimento da economia brasileira”, completou.
Em paralelo ao crescimento das operações, a inadimplência da carteira do BNDES mantida acima de 90 dias encerrou junho em 0,05%, patamar bem inferior à média do Sistema Financeiro Nacional, registrada em 4,68%.
No tocante ao resultado contábil consolidado, o lucro líquido ficou em R$ 14,9 bilhões no semestre, influenciado por receitas com dividendos de participações em empresas como Petrobras e JBS, além de alienações de ações da Copel. A carteira de crédito expandida encerrou o trimestre em R$ 684 bilhões, enquanto o Fundo do Amparo ao Trabalhador (FAT) permaneceu como principal fonte de funding oneroso do banco, totalizando R$ 504,9 bilhões. A solidez financeira foi ratificada pelo Índice de Basileia, fixado em 25,4%, bastante superior ao limite exigido de 10,5%.