BNDES libera R$ 8 bilhões para companhias aéreas do país
A BNDES aprovou nesta quinta-feira a disponibilização de R$ 8 bilhões em crédito do Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC) para apoiar o setor aéreo
- Publicado: 30/07/2026 18:03
- Alterado: 30/07/2026 18:03
- Autor: Gabriel de Jesus
- Fonte: BNDES
O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) aprovou a liberação de R$ 8 bilhões em crédito para reforçar o caixa das companhias aéreas que operam voos domésticos no país. Os recursos, provenientes do Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC) e vinculados ao Ministério de Portos e Aeroportos, beneficiarão quatro empresas: Azul, Gol, Latam e Ata Aerotáxi Abaeté. A linha de financiamento especial promovida pelo BNDES poderá ser acessada até dezembro de 2026.
Impacto da crise dos combustíveis na aviação nacional
A iniciativa coordenada pelo BNDES atua como uma linha de capital de giro voltada a mitigar os impactos financeiros sofridos pelas operadoras. O principal fator motivador da medida foi a forte alta nos custos do combustível de aviação, que quase dobrou de preço entre abril e maio, pressionado pela intensificação dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio.
O pacote aprovado pela diretoria do BNDES oferece condições especiais de mercado, incluindo uma taxa de juros fixa de 4% ao ano — fixada pelo Comitê Gestor do FNAC (CGFNAC) — e prazo de pagamento estendido de até 60 meses.
Apoio estratégico à manutenção de rotas e empregos
De acordo com a liderança do BNDES, a injeção de liquidez é fundamental para preservar a malha aérea nacional e proteger postos de trabalho em um setor ainda fragilizado pelos efeitos remanescentes da pandemia.
“Os recursos vão apoiar as empresas que desempenham papel importante para a economia, contribuindo para a continuidade das operações e da oferta de transporte aéreo à população, para a manutenção de empregos e para mitigação da redução na malha ou descontinuidade de rotas. São companhias que já foram fortemente impactadas pelos efeitos da pandemia e que agora enfrentam o aumento de custo no combustível de aviação devido à guerra no Oriente Médio”, afirmou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.
O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé França, ressaltou a relevância estratégica da medida ao pontuar que o financiamento contribui diretamente para a sustentabilidade do ecossistema aéreo. “A aviação civil é uma necessidade do Brasil, pelo tamanho do país, pelo número de cidades, pelo número de habitantes”, destacou o ministro.
Em coro com os gestores públicos, o presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), Juliano Noman, reforçou o papel econômico do segmento.
“A disponibilização dos recursos faz jus ao papel que o setor exerce na economia. A aviação integra o país, gera emprego e ajuda o turismo a bater recorde. Cada novo destino nacional e internacional volta em turismo, PIB, desenvolvimento e emprego”, declarou Noman.
Histórico legislativo e base jurídica
A operação operada pelo BNDES ampara-se em atualizações legislativas recentes. A autorização para a aplicação de recursos do FNAC no socorro ao setor privado teve início com a aprovação da Lei nº 14.978, de setembro de 2024.
Mais recentemente, a Medida Provisória nº 1.349, editada em abril de 2026, regulamentou as condições específicas de concessão desses empréstimos para capital de giro, viabilizando o socorro financeiro frente a choques inesperados nos custos operacionais da aviação comercial.