53% dos apostadores já atrasaram conta para apostar em bets
Levantamento aponta que o hábito virou rotina financeira. A maioria reconhece o risco de vício, mas não altera o padrão de consumo.
- Publicado: 08/09/2026 09:01
- Alterado: 08/09/2026 09:01
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: Pulso | Apostas 2026
A popularidade das bets no Brasil atingiu um nível crítico para as finanças domésticas. Uma pesquisa divulgada em setembro de 2026 pelo instituto Hibou mostra que 53% dos apostadores já deixaram de pagar alguma conta em dia para poder apostar. O mercado de palpites esportivos deixou de ser um evento ocasional e passou a comprometer a renda básica das famílias.
O levantamento Pulso | Apostas 2026 entrevistou mais de 2.400 brasileiros das classes ABCD no final de agosto. Os dados indicam que 38% da população adulta faz jogos em plataformas esportivas. A frequência confirma a consolidação da prática, com 39% realizando apostas algumas vezes por mês. Um quarto desse público joga há mais de cinco anos.
Cortes no orçamento doméstico para bancar bets
O valor individual de cada palpite parece inofensivo à primeira vista. A maior fatia do público investe quantias modestas, com 36% apostando entre R$21 e R$50 por vez. O efeito cumulativo dessa rotina provoca mudanças drásticas no consumo diário das residências.
Quase seis em cada dez jogadores, ou 59% dos apostadores, já reduziram as compras de casa para liberar dinheiro para as bets. A perspectiva de ganho financeiro imediato lidera as motivações, citada por 47% das pessoas. A diversão e o entretenimento aparecem logo atrás, motivando 42% do público.
“Não estamos falando mais de um comportamento esporádico ligado a grandes eventos, mas de um hábito recorrente, quase parte da rotina financeira das famílias”, analisa a diretora de estratégia da Hibou, Ligia Mello.
Reputação das plataformas e o risco de vício
A reputação e a confiança na marca lideram os critérios de escolha para 44% do público. Recomendações de amigos e familiares influenciam 38% das decisões. Bônus, promoções ou influência de patrocinadores em camisas de futebol têm peso secundário na atração de novos usuários.
Mesmo com danos financeiros visíveis, a consciência sobre o perigo da prática é alta. Oito em cada dez jogadores, representando 80% dos entrevistados, concordam que as bets podem se tornar um vício.
“Existe uma contradição interessante no comportamento do apostador brasileiro. Ele reconhece o risco de vício, mas isso não necessariamente altera sua rotina de apostas”, avalia Ligia Mello. A especialista defende a criação de mecanismos de proteção emocional e financeira desenhados especificamente para esse consumidor.
Os sinais de perda de controle já fazem parte da realidade de uma parcela significativa dos usuários. Cerca de 15% sentem que o hábito está impactando negativamente a vida financeira ou emocional com frequência ou algumas vezes. O cenário atual exige atenção das autoridades, já que a expansão desenfreada das bets ameaça diretamente a estabilidade econômica de milhões de lares.