Bauru: Renato Purini fica em silêncio em depoimento

Investigado por suposta propina em licitação de R$ 5,2 bilhões, Renato Purini nega responder a perguntas da promotoria na prisão de Potim

Crédito: Câmara de Bauru

Ex-secretário de Governo de Bauru e marido da prefeita Suéllen Rosim (PSD), Renato Purini permaneceu em silêncio durante depoimento prestado ao Ministério Público de São Paulo (MPSP) na tarde de quinta-feira (22).

Preso preventivamente no âmbito da segunda fase da Operação Cavalo de Troia, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), ele é investigado por suspeita de participação em um esquema de fraudes na licitação do lixo na cidade, estimado em R$ 5,2 bilhões.

A oitiva foi realizada por videoconferência diretamente da Penitenciária II de Potim, no Vale do Paraíba, para onde Renato Purini foi transferido. Em gravação obtida com exclusividade pela TV TEM, o investigado, acompanhado por seis advogados, declarou ao promotor Nelson Aparecido Febraio Júnior que exerceria o direito constitucional de não responder aos questionamentos.

Prisão preventiva, habeas corpus negado e exoneramento

Renato Purini

Renato Purini foi preso por equipes policiais no dia 16 de outubro de 2026, enquanto transitava na Avenida Getúlio Vargas, em Bauru. Durante a mesma operação, os agentes cumpriram mandados de busca e apreensão na sede da Prefeitura Municipal e na residência em que morava com a chefe do Executivo.

Logo após o cumprimento do mandado judicial, a prefeita Suéllen Rosim oficializou a exoneração do marido do cargo de secretário de Governo. A defesa de Renato Purini ingressou com pedido de liberdade, mas o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP) manteve a prisão preventiva ao indeferir o habeas corpus.

Conforme apuração do MPSP divulgada pela TV TEM, Purini é investigado sob a suspeita de cometer crimes de integração em organização criminosa, corrupção passiva, corrupção ativa de agentes políticos, falsidade documental e fraude a licitações.

“A assessoria jurídica da prefeita Suéllen Rosim informou que a gestora adotou todas as medidas administrativas necessárias, pautando suas decisões pela responsabilidade, transparência e imparcialidade, confiando no esclarecimento dos fatos e mantendo o cumprimento de suas funções à frente do município.”

Trajetos suspeitos na madrugada e troca de aparelho celular

Documentos da investigação obtidos pela TV TEM detalham que o ex-secretário adotou comportamentos atípicos na madrugada em que a ordem de prisão foi cumprida. Os relatórios policiais indicam que ele saiu de casa e realizou trajetos de carro ao redor das sedes do Ministério Público e da Prefeitura de Bauru.

Os investigadores do Gaeco também apontaram que o investigado efetuou a troca de seu aparelho de celular logo após a deflagração da primeira fase da operação, no início de setembro. A cronologia dos fatos levantou a suspeita de que ele tentava se antecipar a eventuais mandados judiciais e prejudicar a coleta de provas.

Intermediação financeira e pressão sobre parlamentares

A investigação do Gaeco aponta que Renato Purini atuava como o articulador político do esquema para viabilizar a aprovação do projeto de concessão de resíduos sólidos. Segundo o Ministério Público, ele teria recebido valores repassados pela empresa Estre Ambiental para influenciar o resultado de votações na Câmara Municipal de Bauru.

As interceptações mostram que os repasses eram mascarados por meio do pagamento de honorários advocatícios simulados ao escritório de Marcos Libanore Caldeira, que emitiu nota fiscal de R$ 750 mil para a empresa de resíduos. O Gaeco identificou ainda mensagens em que a ex-secretária municipal do Meio Ambiente, Cilene Chabuh Bordezan, cobrava os repasses aos executivos da Estre em nome de Renato Purini .

Em diálogos gravados em dezembro de 2025, o ex-secretário relatou a interlocutores que acompanhava presencialmente a postura dos vereadores no legislativo bauruense, chegando a declarar que “segurou dois vereadores no estacionamento” da Câmara para garantir os votos favoráveis à aprovação da concessão do lixo.

  • Publicado: 23/10/2026 09:39
  • Alterado: 23/10/2026 09:39
  • Autor: Daniela Ferreira
  • Fonte: ABC do ABC