Azeites importados no Brasil não são extravirgem diz laudo
Laudo do Mapa revela que azeites importados no Brasil não são extravirgem após testes sensoriais identificarem fraudes em marcas líderes de vendas
- Publicado: 06/08/2026 09:47
- Alterado: 06/08/2026 09:47
- Autor: Carlos Enriki
- Fonte: Assessoria
Uma perícia técnica oficial determinada em Ação Civil Pública revelou irregularidades nos rótulos das marcas mais vendidas do país. O laudo do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou que azeites importados no Brasil não são extravirgem, identificando produtos virgens ou classificados como lampantes nas prateleiras dos supermercados.
As análises foram conduzidas pelo Laboratório Federal de Defesa Agroperguntadoria (LFDA) a pedido do Ministério Público Federal (MPF) em São Paulo. Os testes sensoriais apontaram que marcas consolidadas como Andorinha, Gallo, Borges, Gomes da Costa, Filippo Berio e Carrefour vendiam azeite virgem como extravirgem, enquanto os rótulos Costa D’Oro e Terras de Camões apresentavam azeite lampante, impróprio para consumo humano.
A procuradora da República, Karen Louise Jeanette Kahn, declarou que as conclusões confirmam as suspeitas de fraude e anunciou novas medidas judiciais. “Há produtos altamente comercializados que estão sendo oferecidos como azeite quando são lampantes, o que representa risco sério e concreto à saúde pública”, alertou a procuradora.
Azeites importados no Brasil não são extravirgem segundo o Mapa
A divulgação dos resultados reacendeu o debate sobre o controle sanitário e de qualidade na importação. O presidente do Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva), Flávio Obino Filho, pontuou que os laudos comprovam denúncias históricas da entidade e justificam a disparidade de preços praticada no mercado nacional.

“Os laudos confirmam denúncias feitas pela instituição. São azeites velhos, com defeito, descartados pelos europeus e que chegam às prateleiras como extravirgem. São azeites de baixa qualidade que não se comparam ao produto nacional”, afirmou o presidente do Ibraoliva, Flávio Obino Filho.
A nutricionista Isabel Kasper explicou que a desconformidade afeta diretamente os benefícios funcionais do produto. Segundo a especialista, apenas o azeite extravirgem preserva fração relevante de polifenóis e compostos bioativos antioxidantes. O azeite virgem possui menor teor dessas substâncias, enquanto o tipo lampante exige refinamento industrial antes de qualquer uso alimentício.