Avanço da extrema direita na Alemanha pressiona Merz 

O avanço da extrema direita nas eleições estaduais da Alemanha amplia a pressão sobre o chanceler Friedrich Merz e desgasta o governo

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A ascensão do partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD) em votações regionais acelerou a crise política enfrentada pelo chanceler Friedrich Merz neste domingo (20). O chefe de Governo classificou o desempenho eleitoral do seu partido como um revés grave, mas descartou a possibilidade de renunciar ao cargo.

“O que precisa ser feito agora exige firmeza, perseverança e paciência. Invocarei essas qualidades como presidente da CDU e, sobretudo, como chanceler do nosso país”, afirmou Friedrich Merz durante pronunciamento oficial logo após o encerramento da votação.

Resultados eleitorais nos estados alemães

No estado de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, a AfD obteve 37% das intenções de voto segundo as pesquisas de boca de urna, superando o Partido Social-Democrata (SPD), que alcançou 35,5%. O desempenho permitiu à legenda ultradireitista dobrar a quantidade de cadeiras no Parlamento estadual. Contudo, a governadora Manuela Schwesig (SPD) deve conseguir montar uma coalizão para se manter no poder.

A União Democrata-Cristã (CDU), sigla liderada por Merz, registrou um dos piores desempenhos locais de sua história, somando 5,5% dos votos e ficando próxima da cláusula de barreira.

Paralelamente, a disputa pela prefeitura e pelo governo da cidade-estado de Berlim trouxe novo revés para a coalizão governamental. O partido Die Linke (A Esquerda) liderou a apuração com 24,5%, seguido pela CDU, com 20%, e pela AfD, que alcançou 16%. A candidata do Die Linke, Elif Eralp, iniciou articulações para formar governo junto ao SPD e aos Verdes.

“Quero me tornar prefeita de Berlim para que as pessoas da nossa cidade voltem a ter uma vida melhor”, declarou Elif Eralp durante discurso focado nos custos de moradia e preço dos aluguéis na capital da Alemanha.

Propostas políticas e cenário econômico da Alemanha

O crescimento das correntes radicais na Alemanha ocorre em um contexto de estagnação econômica e insatisfação popular. A plataforma defendida pela AfD inclui medidas como o encerramento do modelo de transição energética atual, a retomada da compra de gás russo, a revisão do uso do euro e o aumento das deportações de imigrantes.

Em resposta ao avanço dessas plataformas, o chanceler defendeu a manutenção da agenda econômica do governo federal.

“Estamos vivendo em um Estado que se tornou complicado demais. Nossa economia está passando por uma profunda transformação, e o tom das relações sociais em nossa sociedade tornou-se mais áspero e complexo”, avaliou Merz.

Desafios da coalizão de governo

A insatisfação com a gestão federal também gerou cobranças públicas vindas do próprio bloco de sustentação do governo. A governadora Manuela Schwesig voltou a defender o estabelecimento de limites para os preços dos combustíveis e manifestou divergências em relação às propostas para a Previdência.

O resultado consolidado nas duas regiões amplia a pressão interna na política da Alemanha, enquanto o Executivo busca aprovar reformas estruturais no Parlamento federal.

  • Publicado: 20/09/2026 20:07
  • Alterado: 20/09/2026 20:07
  • Autor: Gabriel de Jesus
  • Fonte: FolhaPress