Ataques à imprensa crescem na reta final do primeiro turno
Monitoramento da CDJor registra alta de 74% nos ataques à imprensa na reta final do 1º turno das eleições, totalizando 327 agressões por dia
- Publicado: 11/10/2026 11:44
- Alterado: 11/10/2026 11:44
- Autor: Gabriel de Jesus
- Fonte: Abraji
Os ataques à imprensa registrados no ambiente digital apresentaram um crescimento de 74% na reta final do primeiro turno das eleições de 2026, saltando de uma média de 188 agressões diárias para 327 nos oito dias que antecederam a votação. Ao todo, a Coalizão em Defesa do Jornalismo (CDJor) identificou 14.182 manifestações hostis contra jornalistas e veículos de comunicação no X e no Instagram entre 16 de agosto e 4 de outubro. O cenário de agressividade incluiu desde a contestação sem embasamento de reportagens até ofensas misóginas e acusações de manipulação de dados, com base na análise de cerca de 3,7 milhões de publicações e comentários.
Mulheres jornalistas são os principais alvos de agressões
A pesquisa revelou uma disparidade de gênero significativa entre os alvos de agressões individuais. As mulheres concentraram 64,8% dos ataques à imprensa direcionados a profissionais identificados durante o primeiro turno, somando 2.013 registros das 3.106 ocorrências dessa categoria. Além da contestação ao trabalho técnico, o estudo apontou insultos sexuais, ofensas de cunho misómino e incitação à violência física.
Os casos documentados pela CDJor indicam que rotinas habituais de apuração serviram de gatilho para campanhas orquestradas de intimidação. A jornalista Natalia Viana, da Agência Pública, passou a receber ofensas ao procurar uma fonte para checagem de dados, antes mesmo da publicação da matéria. Juliana Dal Piva enfrentou hostilidades durante a repercussão de investigações sobre o caso Banco Master, enquanto Maria Cristina Fernandes foi alvo de ofensas após emitir um comentário analítico na GloboNews.
Embora as mulheres tenham sido maioria dos alvos no consolidado da campanha, os homens responderam por 55,1% dos ataques à imprensa direcionados a indivíduos nos oito dias finais do pleito, variação impulsionada por uma ofensiva direcionada ao jornalista Ricardo Noblat no X.
Ataques à imprensa ocorrem em pesquisas eleitorais e debates
As manifestações hostis acompanharam a divulgação de matérias, entrevistas, pesquisas eleitorais e debates entre candidatos. A corrida presencial concentrou quase 80% das agressões cujo contexto político-eleitoral foi identificado, embora disputas estaduais também tenham motivado picos de engajamento violento contra a cobertura jornalística.
As estratégias identificadas buscaram enfraquecer o papel institucional do jornalismo perante a opinião pública. Termos como “fake news”, “jornalista militante” e “imprensa golpista”, além de acusações genéricas de adulteração de pesquisas, foram amplamente difundidos nas redes.
“Os resultados mostram como a violência digital ultrapassa a crítica ao conteúdo jornalístico e pode se transformar em uma forma de intimidação de profissionais, com consequências para a segurança da imprensa e a circulação de informações de interesse público”, destaca o relatório da instituição.
Grandes veículos de comunicação como g1, GloboNews, Folha de S.Paulo e CNN Brasil registraram volumes expressivos de comentários agressivos em seus perfis. No acumulado do primeiro turno, o Instagram concentrou 61,8% dos registros de ataques à imprensa, porém o X assumiu a liderança das ocorrências na fase decisiva da votação.