Apostas online crescem entre paulistanos em busca de renda extra
Pesquisa aponta que 35% dos moradores de São Paulo apostam pela expectativa de complementar o orçamento familiar; percentual aumentou em relação a 2024 e preocupa especialistas devido ao impacto financeiro nas famílias de menor renda
- Publicado: 14/06/2026 17:11
- Alterado: 14/06/2026 17:11
- Autor: Suzana Rezende
- Fonte: FolhaPress
O número de paulistanos que recorrem às apostas online como forma de complementar a renda doméstica aumentou nos últimos dois anos. Levantamento divulgado pela FecomercioSP mostra que 35% dos moradores da capital paulista utilizam plataformas de apostas com esse objetivo, um avanço de 10 pontos percentuais em comparação com a pesquisa realizada em 2024.
O cenário é ainda mais expressivo entre pessoas com renda de até dois salários mínimos, grupo em que 40% afirmam apostar para reforçar o orçamento. Entre aqueles com rendimentos superiores, o índice cai para 30%.
Segundo a entidade, o crescimento evidencia que parte da população em situação financeira mais vulnerável tem enxergado as apostas como uma alternativa para enfrentar dificuldades econômicas.
Diversão ainda é principal motivação para parte dos usuários
Embora a busca por renda tenha ganhado destaque, outros motivos também levam os paulistanos às plataformas de apostas. A pesquisa aponta que 37% dos entrevistados apostam por diversão, enquanto 16% consideram a prática uma forma de entretenimento.
Já 7% dos participantes declararam apostar por estarem viciados. Em contrapartida, diminuiu o número de pessoas que enxergam as apostas como investimento: o percentual caiu de 9% em 2024 para 5% em 2026.
Frequência das apostas varia entre os usuários
Os dados mostram que 14,5% dos apostadores realizam apostas diariamente. Outros 23% jogam semanalmente, enquanto 13% apostam uma vez por mês. A maior parte dos entrevistados, no entanto, declarou participar das plataformas apenas ocasionalmente, representando 49% do total.
A pesquisa também identificou que o Pix é o principal meio de pagamento utilizado pelos apostadores, presente em 96% das transações realizadas.
Recursos destinados às bets deixam de ser usados em despesas essenciais
O levantamento revela que muitos consumidores redirecionam recursos que poderiam ser utilizados em outras áreas para financiar apostas. Entre os entrevistados, 41% afirmaram que o dinheiro empregado nas plataformas seria destinado ao lazer.
Além disso, 20% disseram que os valores poderiam ser usados para pagar contas, 19% para poupança, 12% para compra de alimentos e 9% para gastos com roupas e calçados.
Entre as mulheres, a substituição de despesas essenciais é ainda mais evidente. O percentual das que utilizariam o dinheiro para alimentação chega a 18%, enquanto entre os homens o índice é de 11%.
Endividamento e empréstimos acendem alerta
Outro dado que chamou atenção da FecomercioSP foi o impacto das apostas sobre a saúde financeira dos consumidores. Cerca de 12% dos paulistanos afirmaram ter buscado algum tipo de ajuda financeira para continuar apostando.
Desse total, 5% recorreram a empréstimos de amigos ou familiares e 4% contrataram crédito bancário. Para a entidade, o resultado indica que uma parcela dos apostadores já enfrentou dificuldades financeiras relacionadas à prática.
Mais da metade dos entrevistados (54%) informou gastar até R$ 50 por mês com apostas online. Outros 16% desembolsam até R$ 100 mensais, enquanto 12% investem até R$ 200.
FecomercioSP defende maior fiscalização do setor
Diante dos resultados, a FecomercioSP avalia que o avanço das apostas online tem provocado impactos socioeconômicos relevantes. A entidade atribui o crescimento do setor à forte presença das plataformas nas redes sociais, à popularização dos pagamentos instantâneos e à facilidade de acesso por meio dos smartphones.
Por isso, a federação reforça a defesa de medidas mais rigorosas de regulamentação e fiscalização das plataformas de apostas, incluindo ações contra operadores ilegais.
O alerta ocorre em um momento de elevada pressão financeira sobre as famílias paulistanas. Dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, divulgada pela própria FecomercioSP em abril, apontaram que 72,9% das famílias da capital estavam endividadas, enquanto 21% apresentavam contas em atraso.