Alunas do Fundo Social abrem negócios próprios em Guarulhos

Após cursos de confeitaria e panificação na Praça da Cidadania, moradoras de Guarulhos criam negócios em casa e complementam o orçamento das famílias

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Duas moradoras de Guarulhos, na Grande São Paulo, transformaram o aprendizado obtido em cursos gratuitos de qualificação profissional na Praça da Cidadania em negócios próprios de alimentação, conquistando autonomia financeira e flexibilidade na rotina familiar.

Jéssica Monteiro, de 29 anos, e Janine Conceição, de 46, participaram das turmas promovidas pelo Fundo Social de São Paulo (FUSSP), em parceria com a Fundação FAT e o Senac, descobrindo novas frentes de trabalho ao levar a produção de alimentos para a cozinha de casa.

Para Jéssica, moradora do Parque Jandaia em Guarulhos, a relação com a confeitaria teve início ainda na infância, quando aprendeu os primeiros passos com uma mulher que ajudava sua mãe no cuidado das filhas.

“Conforme foi passando, eu fui pegando amor por aquilo e fui fazendo. Mas eu fazia bolos em casa mesmo, né? Para as pessoas próximas. Nunca fiz bolo para pessoas de fora”, relembra.

Sem nunca ter atuado com carteira assinada, ela decidiu retomar a meta de profissionalização e ingressou nos módulos de Confeitaria Básica e Avançada na Praça da Cidadania. Uma orientação em sala de aula, ao enfrentar dificuldades para alisar a cobertura de um bolo, foi decisiva.

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“Abriu uma janela na minha mente. Eu fazia bolo para o meu pessoal, meus parentes de perto. A partir do momento em que eu fiz o curso, abriu um divisor e eu consegui entender que eu era capaz de fazer para outras pessoas”.

A primeira encomenda comercial chegou em agosto de 2025. “Eu me senti um pouco apreensiva. Mas eu fiz e no final deu tudo certo; tive elogios. Disseram que estava muito bom, que iriam recomendar para outras pessoas e desde então, eu continuei”, recorda Jéssica, que hoje atende cerca de sete pedidos semanais de bolos, doces e tortas, além de promover festivais de fatias na rua de casa.

O trabalho doméstico também permitiu acompanhar de perto a criação dos filhos.

“Antes eu tinha que deixar meus filhos com outras pessoas. E eu, estando em casa, agora, consigo fazer os bolos com eles. Eu consigo levar à escola e buscar. Mesmo com eles em casa, eu consigo fazer o meu trabalho”.

Da Santa Ceia às encomendas de pães caseiros

No bairro dos Pimentase Guarulhos, a aproximação de Janine com a gastronomia aconteceu de forma totalmente atípica. Atuando há quase uma década como manicure e pedicure, ela começou a testar receitas a pedido do marido, que é pastor, com o objetivo de fornecer o pão para as celebrações religiosas da igreja.

“Pra você ter uma ideia, eu não gosto de cozinhar. Já viu isso? Não gosto de cozinhar. Eu nunca nem tinha feito pão antes”, conta, bem-humorada.

Após oscilações nos resultados das massas, ela buscou os cursos de Panificação Básica e Avançada em Guarulhos para dominar a parte técnica. “Tem toda uma técnica, carinho, dedicação e atenção. Tem o processo de crescimento, que você tem que ter paciência. Tantas coisas que a gente não tem paciência na vida, né? Mas com o pão, tem que esperar crescer”, explica.

A intenção inicial não previa vendas, mas a aceitação das receitas mudou o plano. “Eu falava que não ia vender. Eu só queria fazer o pão por conta da Santa Ceia, porque a igreja precisava e, para mim, estava tudo certo. Demorou a cair a minha ficha de que eu poderia colocar mais uma atividade na minha vida para gerar mais renda”, relata.

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As vendas começaram em fevereiro de 2026 e hoje atingem até nove pães por dia em períodos de pico em Guarulhos. Produzindo durante a madrugada para conciliar os atendimentos de manicure e os cuidados com os três filhos, Janine comemora o reforço financeiro.

“Não vou dizer pra você que estou ganhando milhões, mas é um dinheiro que dá pra fazer outras coisas, sabe? É o dinheiro que, se estiver faltando algo na minha casa, ou algo pros meus filhos, ou algo pra mim, eu posso usar esse valor pra essa falta. Quando eles me falam ‘mãe, compra uma bolacha?’ e eu digo ‘vamos pegar bolacha, menino!'”.

As experiências de Jéssica e Janine somam-se às de mais de 18,4 mil formados em 2026 pelas Escolas de Qualificação Profissional do Fundo Social de São Paulo. A rede estadual mantém cursos gratuitos em 20 unidades da Região Metropolitana, incluindo Praças da Cidadania e CICs, com capacitações em Gastronomia, Moda, Beleza, Informática, Construção Civil e Administração voltadas à autonomia de famílias em vulnerabilidade social.

  • Publicado: 30/10/2026 11:29
  • Alterado: 30/10/2026 11:29
  • Autor: Daniela Ferreira
  • Fonte: Assessoria