We Save revela no ABC Cast Conexões a fortuna escondida nas despesas
Lucas Souza, CEO da We Save, explica como água, energia e saneamento podem esconder perdas milionárias e oportunidades estratégicas para os negócios
- Publicado: 20/06/2026 08:00
- Alterado: 20/06/2026 08:00
- Autor: Edvaldo Barone
- Fonte: ABCdoABC
Existem custos que toda empresa acompanha de perto. Folha de pagamento, impostos, matéria-prima, logística e investimentos costumam ocupar espaço permanente nas reuniões de diretoria. Outros, porém, acabam sendo tratados como despesas inevitáveis, pagas mês após mês sem grandes questionamentos. É justamente nesse grupo que podem estar escondidas perdas milionárias, provocadas por cobranças inadequadas, falhas regulatórias e modelos de consumo que poucas empresas se dedicam a revisar com profundidade. Água, saneamento e energia costumam ser vistos apenas como custos operacionais obrigatórios, mas, para um número crescente de empresas, passaram a representar uma oportunidade estratégica de recuperação financeira e ganho de eficiência.
Foi a partir dessa percepção que o advogado e especialista em gestão Lucas Souza construiu a trajetória da We Save, empresa especializada em auditoria e gestão de utilities, com foco em água, saneamento e energia. Convidado do décimo episódio da segunda temporada do ABC Cast Conexões, Lucas relembra que sua aproximação com esse universo aconteceu de forma pouco convencional. Formado em Direito e com carreira iniciada ainda na adolescência no Tribunal de Justiça, ele passou anos atuando em escritórios de advocacia até perceber que muitos problemas relacionados às concessionárias chegavam aos clientes apenas quando já haviam se transformado em disputas judiciais. “Eu comecei a entender que existia um espaço muito maior do que simplesmente discutir um problema depois que ele acontecia. Muitas empresas tinham contas significativas, pagavam aquilo há anos e sequer imaginavam que existiam oportunidades de revisão, de redução de consumo ou de recuperação de valores. Foi aí que nós enxergamos a possibilidade de criar uma consultoria especializada, que pudesse olhar para esse tema de forma técnica, regulatória e estratégica”, relembra.
Lucas destaca que um dos maiores desafios enfrentados pelas empresas está justamente na falsa sensação de que essas despesas são totalmente previsíveis. Segundo ele, a maioria dos gestores acompanha apenas o valor final da fatura ou a comparação com meses anteriores, sem analisar se a metodologia de cobrança está correta ou se existem oportunidades de otimização previstas pelas próprias regras do setor. “Muitas vezes a empresa olha para a conta, vê que o valor está dentro da média e segue a rotina. O problema é que saneamento e energia são áreas extremamente complexas, com regras tarifárias, normas regulatórias e critérios de cobrança que mudam conforme a região e o perfil do consumidor. Existem detalhes que passam despercebidos e que podem gerar cobranças superiores ao que realmente deveria ser pago”, explica.
A We Save, que atualmente atende mais de 180 empresas e já ultrapassou a marca de R$ 150 milhões em economia gerada para seus clientes, defende uma mudança de mentalidade no ambiente empresarial. A lógica é simples, mas ainda pouco explorada, antes de buscar novas fontes de receita, muitas organizações podem encontrar ganhos relevantes justamente ao revisar custos que, durante anos, foram tratados como inevitáveis.
Quando água e energia deixam de ser despesas e viram estratégia

Contas de água, esgoto e energia sempre foram encaradas pelas empresas como despesas fixas, praticamente imutáveis, como se a operação dependesse desses recursos para funcionar, restando apenas pagar a conta e incorporá-la aos custos mensais. Para Lucas Souza, porém, esse é justamente um dos equívocos mais comuns da gestão empresarial. Segundo ele, quando essas despesas deixam de ser observadas apenas pelo valor final da fatura e passam a ser analisadas sob a ótica técnica e regulatória, elas podem se transformar em uma importante fonte de recuperação financeira e aumento de competitividade.
Ao explicar a metodologia adotada pela We Save, Lucas afirma que a análise vai muito além da conferência financeira tradicional. O trabalho começa com a leitura detalhada das faturas e a comparação dos dados de cobrança com as normas regulatórias aplicáveis a cada região e a cada concessionária. O objetivo é identificar inconsistências, enquadramentos tarifários inadequados ou metodologias de cobrança que possam estar gerando pagamentos superiores ao devido. “Muitas vezes o gestor olha apenas se a conta está dentro da média de consumo. Mas existem regras específicas, faixas tarifárias, critérios de medição e parâmetros regulatórios que precisam ser observados. É justamente nessa análise mais profunda que surgem oportunidades importantes de revisão e recuperação de valores”, afirma.
Entre as situações mais frequentes encontradas pela We Save estão cadastros desatualizados, enquadramentos incorretos de tarifas, cobranças baseadas em médias de consumo e até critérios de medição que não refletem a realidade operacional do cliente. Segundo Lucas, muitos desses erros permanecem durante anos sem serem questionados, criando um impacto financeiro que se acumula silenciosamente ao longo do tempo. “Existem cobranças que parecem normais porque fazem parte da rotina da empresa há muito tempo. Mas quando analisamos tecnicamente, encontramos situações em que a metodologia aplicada não corresponde ao que está previsto na regulação. Em alguns casos, além da redução imediata da conta, existe a possibilidade de recuperar valores pagos indevidamente nos últimos anos”, relata.
Os resultados dessa abordagem ajudam a explicar o crescimento do setor de auditoria de utilities nos últimos anos. Lucas afirma que a We Save costuma gerar economias que variam entre 20% e 30% nas contas em que atua, índices que ganham proporções ainda maiores quando aplicados a grandes operações industriais, redes varejistas ou shopping centers. “Quando a gente reduz uma conta dessa natureza, não está apenas diminuindo uma despesa. Estamos liberando recursos que podem ser reinvestidos na própria empresa, melhorar a rentabilidade do negócio e até fortalecer toda a cadeia que depende daquela operação”, avalia.
Essa mudança de perspectiva, segundo o especialista, faz com que água, energia e saneamento deixem de ocupar apenas a coluna das despesas obrigatórias e passem a integrar as discussões estratégicas das empresas. Afinal, em um ambiente de margens cada vez mais pressionadas, eficiência operacional também significa saber identificar oportunidades escondidas justamente nos custos que, durante muito tempo, pareciam impossíveis de mudar.
We Save: o modelo que só cresce quando o cliente economiza
A proposta adotada pela We Save chamou atenção justamente por inverter uma lógica bastante difundida no setor de consultoria. Enquanto muitas empresas trabalham com honorários fixos, independentemente do resultado alcançado, a companhia opera por meio de um modelo conhecido como success fee, no qual a remuneração está diretamente ligada à economia efetivamente gerada ou aos valores recuperados para o cliente. Na prática, isso significa que a empresa só recebe quando consegue comprovar o benefício financeiro entregue à operação. O formato, ainda pouco comum em áreas tão especializadas e regulatórias, tornou-se um dos pilares de crescimento da companhia.
Segundo Lucas Souza, a decisão de adotar esse modelo surgiu da necessidade de construir uma relação de confiança em um setor onde muitos empresários acreditam que as contas de concessionárias são, por definição, corretas e imutáveis. “A gente entendeu desde o início que precisava compartilhar o risco com o cliente. É muito comum que o empresário pense: eu pago essa conta há anos, ela vem de uma concessionária, então imagino que esteja tudo certo. O nosso modelo foi criado justamente para mostrar que acreditamos no resultado que entregamos. Se não houver economia ou recuperação de valores, o cliente não paga absolutamente nada”, explica.
A estratégia exigiu uma construção empresarial sólida. Lucas relembra que a We Save foi estruturada sem investidores externos e precisou crescer gradualmente, sustentando equipes multidisciplinares, tecnologia própria e investimentos operacionais antes mesmo de receber os resultados financeiros de muitos contratos. “A gente começou do zero, sem clientes e sem referências no mercado para comparar o nosso modelo. Foi necessário construir processos, desenvolver tecnologia, formar equipes e acreditar que o valor entregue ao cliente seria suficiente para tornar o negócio sustentável. Felizmente, o tempo mostrou que estávamos no caminho certo”, comenta.
Hoje, a We Save reúne advogados, engenheiros, especialistas em saneamento, energia e profissionais de tecnologia em uma estrutura que combina conhecimento regulatório, análise técnica e inteligência de dados. Esse ecossistema permite que a empresa atue tanto na identificação de cobranças indevidas quanto na redução efetiva do consumo e na implementação de soluções de eficiência operacional. A consequência é uma relação em que os interesses se alinham de maneira natural. Quanto maior a economia gerada, maior o benefício para o cliente e também para a própria consultoria.
Ao comentar esse formato de atuação, Lucas destaca que o maior patrimônio construído pela We Save talvez não seja apenas a economia financeira acumulada ao longo dos anos, mas a mudança de percepção sobre um tema que durante muito tempo permaneceu à margem das decisões estratégicas das empresas. Afinal, quando uma organização percebe que custos aparentemente inevitáveis podem ser questionados, revisados e transformados em ganhos reais, ela também passa a enxergar eficiência de uma forma completamente diferente.
Da planilha à inteligência artificial

Quando a We Save iniciou suas atividades, a tecnologia que hoje se tornou um dos principais diferenciais da empresa ainda não existia. As primeiras análises eram feitas manualmente pelos próprios sócios, que examinavam conta por conta em busca de inconsistências tarifárias, falhas regulatórias e oportunidades de economia. O trabalho exigia conhecimento técnico e atenção minuciosa aos detalhes, mas também apresentava um limite evidente. À medida que a empresa crescia e conquistava novos clientes, tornou-se impossível manter a mesma profundidade de análise apenas com processos manuais.
A virada aconteceu quando a We Save foi convidada a participar de uma concorrência envolvendo cerca de 1.500 contas de consumo. O prazo era curto e a demanda deixava claro que, se a operação continuasse dependendo exclusivamente da análise humana, o crescimento teria um teto muito próximo. “A gente percebeu que conseguiria entregar aquele projeto trabalhando de madrugada, em finais de semana e fazendo um esforço enorme. Mas também entendeu que, se aquilo se tornasse recorrente, o modelo não seria sustentável. Foi nesse momento que começamos a pensar seriamente em tecnologia”, relembra Lucas Souza.
Da necessidade operacional nasceu a Wave, plataforma proprietária desenvolvida pela We Save para automatizar a leitura e a análise de contas de água, saneamento e energia. O sistema cruza informações das faturas com normas regulatórias, parâmetros tarifários e regras específicas de cada concessionária, sinalizando possíveis divergências e oportunidades de revisão. Mas Lucas faz questão de destacar que a tecnologia não substitui a atuação dos especialistas. “A plataforma identifica padrões, aponta inconsistências e acelera a análise. Mas ainda existe uma etapa essencial, que é a interpretação técnica. É a combinação entre tecnologia e conhecimento humano que permite transformar dados em decisões efetivas”, explica.
Com o tempo, a Wave passou a fazer parte da experiência dos próprios clientes. Hoje, a plataforma oferece acompanhamento em tempo real do consumo, alertas sobre desvios de padrão, monitoramento de desperdícios e informações que auxiliam gestores na tomada de decisões. Em alguns casos, a tecnologia permite identificar vazamentos ou anomalias de consumo antes mesmo que eles apareçam na fatura mensal. “Quando você consegue enxergar o consumo em tempo real, deixa de atuar apenas corrigindo problemas. Você passa a prevenir perdas e a construir uma gestão muito mais eficiente”, destaca Lucas.
Sustentabilidade também precisa gerar resultado
A agenda ESG conquistou espaço definitivo nas empresas e ampliou a discussão sobre a forma como os recursos são utilizados dentro das organizações. Questões relacionadas à eficiência energética, ao consumo consciente de água e à responsabilidade ambiental passaram a integrar estratégias de crescimento e competitividade. Para Lucas Souza, essa transformação também exige uma visão equilibrada, em que sustentabilidade e desempenho financeiro deixam de disputar protagonismo e passam a fazer parte da mesma equação. Ele acredita que uma estratégia sustentável precisa, necessariamente, ser economicamente viável para se manter no longo prazo. “A sustentabilidade também precisa se sustentar. Esse é um ponto extremamente importante dentro de qualquer operação. Quando uma empresa reduz desperdícios, utiliza melhor os recursos naturais e melhora sua eficiência, ela está gerando um benefício coletivo, mas também está fortalecendo o próprio negócio. Essas duas coisas caminham juntas”, argumenta ao defender uma visão mais integrada sobre o tema.
A experiência acumulada pela We Save ao lado de grandes grupos empresariais reforça essa percepção. Segundo Lucas, muitas organizações estabeleceram metas concretas relacionadas ao reaproveitamento de água, à redução de perdas e ao uso mais racional dos recursos disponíveis. “A gente percebe uma preocupação real em tornar as operações mais eficientes e mais sustentáveis. Existem metas, investimentos e acompanhamento constante desses indicadores. E é natural que isso também produza ganhos financeiros. A redução do consumo diminui custos, melhora a eficiência e fortalece a competitividade da empresa”, observa.
Lucas também destaca que sustentabilidade deixou de ser uma pauta isolada dos departamentos ambientais e passou a influenciar diretamente a forma como empresas são avaliadas pelo mercado, pelos consumidores e pelos próprios investidores. Não se trata apenas de gastar menos, mas de utilizar recursos de maneira mais inteligente, reduzir desperdícios e construir operações preparadas para um cenário em que responsabilidade ambiental e desempenho financeiro caminham lado a lado. Na visão do executivo, esse equilíbrio talvez seja uma das grandes transformações da gestão contemporânea. Empresas que conseguem alinhar crescimento, eficiência e responsabilidade tendem a construir vantagens competitivas mais duradouras.
Eficiência pode ser a vantagem competitiva que ninguém vê
Ao longo da entrevista, Lucas Souza apresenta uma ideia que atravessa toda a trajetória da We Save. Muitas vezes, as maiores oportunidades de crescimento de uma empresa não estão em novos produtos, na abertura de mercados ou no aumento das vendas. Elas podem estar escondidas dentro da própria operação, em custos incorporados à rotina que deixaram de ser questionados com o passar do tempo. Água, energia e saneamento são apenas alguns exemplos de despesas que, embora essenciais, raramente ocupam o centro das discussões estratégicas das organizações.
Lucas ressalta que a economia financeira não é o único indicador de sucesso. Para ele, o principal ganho está na mudança de mentalidade. “Quando a empresa começa a entender de fato como ela consome, como ela é cobrada e quais oportunidades existem para melhorar esse processo, ela deixa de atuar de forma reativa. Ela passa a tomar decisões com mais informação, mais previsibilidade e mais segurança”, explica ao defender uma gestão baseada em dados e inteligência operacional.
Ao comentar a própria trajetória, Lucas relembra que a We Save nasceu justamente da percepção de que existiam problemas que poucas pessoas estavam observando e oportunidades que quase ninguém enxergava. A empresa cresceu apostando na combinação entre conhecimento técnico, tecnologia e proximidade com os clientes, mas sem perder de vista um princípio que orienta sua atuação desde o início. “Na We Save nós acreditamos que precisamos agregar valor no mundo real. Não basta apresentar um relatório ou uma análise técnica. O nosso compromisso é fazer com que aquilo gere impacto concreto para a empresa, para a operação e, de alguma forma, para toda a cadeia que depende dela”, resume.
Equipe e convidados: quem faz o ABC Cast Conexões

A entrevista com Lucas Souza, da We Save, foi conduzida por Thiago Quirino e contou com a participação do jornalista e assessor de imprensa João Donato, da SantosPress. A produção e checagem de dados ficaram a cargo de Edvaldo Barone, editor-chefe do ABCdoABC. A direção geral é de Alex Faria, fundador do portal, e a edição do episódio leva a assinatura de Rodrigo Rodrigues.
Confira a entrevista completa com Lucas Souza da We Save:
Além do canal no YouTube, o episódio com Lucas Souza, da We Save, pode ser acessado pelo Amazon Music, Spotify, Deezer e também no Apple Podcasts.