A bondade de fim de ano

Quando a bondade vira costume de calendário, talvez seja hora de repensar nossas atitudes

Crédito: Ilustração criada por IA (ChatGPT/OpenAI)

Acho bonito o movimento de bondade que surge com o cheiro de panetone e pisca-pisca. É gente separando roupas para doação, a “caixinha” de fim de ano nos estabelecimentos, e uma empatia maior na hora de fazer compras. A desculpa? “O fim de ano no comércio é difícil.”

Isso me faz pensar: como se não fosse difícil o ano todo. Como se, de janeiro a novembro, os trabalhadores não tivessem que lidar com a mesma pressão e, muitas vezes, com a falta de educação do público, tudo isso em silêncio, porque dependem daquele salário para sobreviver.

Não é uma crítica, é um espanto: por que não praticar essa bondade o ano inteiro?

Por que esperar dezembro para doar aquela roupa? Afinal, sabemos que se você compra uma calça nova, a antiga vai ser esquecida no guarda-roupa. Por que a gorjeta extra só aparece no Natal? O funcionário que faz a diferença e te atende bem merece esse reconhecimento em qualquer época.

E a empatia? Só quem já trabalhou com atendimento ao público sabe o quanto é desafiador manter a calma. Por que não ter essa gentileza e respeito todos os meses?

As empresas também entram na dança. A confraternização de fim de ano é um ritual enraizado, mas questionamos: não seria mais justo e produtivo confraternizar com respeito e reconhecimento de forma contínua, o ano todo?

Se a organização passou os últimos meses desmotivando ou aborrecendo seus colaboradores, talvez fosse mais honesto e significativo celebrar o respeito mútuo ou o atingimento de uma meta desafiadora, e não apenas o mero calendário.

Afinal, de que adianta a celebração de dezembro se, com a virada do ano, a liderança esquece rapidamente que a longevidade e o sucesso da empresa dependem fundamentalmente do empenho e da colaboração diária de cada funcionário? A verdadeira confraternização acontece na bondade e valorização constante de quem constrói os resultados ano após ano.

Natal - Responsabilidade Social - Confraternização - Empresas
(Imagem: Freepik)

Por fim, as famílias. Elas se reúnem, sorriem para a foto, trocam presentes. Sabemos que toda família tem seus problemas — isso é normal. Mas por que se juntar sabendo que a grande maioria fala mal de você o ano inteiro? Ou, pior, nem sequer estende a mão quando você realmente precisa?

Talvez o verdadeiro espírito de Natal não seja a reunião forçada ou a doação de última hora, mas sim o compromisso de levar o respeito e a bondade de dezembro para o janeiro seguinte.

A bondade não deveria ser um evento de uma época, mas sim um hábito diário!

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  • Publicado: 15/12/2025 11:38
  • Alterado: 15/12/2025 11:39
  • Autor: 15/12/2025
  • Fonte: ABCdoABC

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