8 gravuras de Henri Matisse são recuperadas em São Bernardo
Gravuras de Henri Matisse roubadas da Biblioteca Mário de Andrade foram localizadas pela Polícia Civil no ABC Paulista e devolvidas ao patrimônio de SP
- Publicado: 14/08/2026 08:52
- Alterado: 14/08/2026 12:48
- Autor: Carlos Enriki
- Fonte: Assessoria
Polícia recupera gravuras de Henri Matisse que haviam sido roubadas da Biblioteca Mário de Andrade, na capital paulista, em dezembro do ano passado. As oito obras, com valor total estimado em cerca de US$ 200 mil (aproximadamente R$ 1 milhão), foram localizadas em uma residência em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista.
Durante a ação policial, um homem de 44 anos, identificado como João Paulo Linhares de Araújo, foi preso em flagrante sob a suspeita de armazenar o acervo em nome dos executores do crime.
Apesar da recuperação das peças internacionais, cinco gravuras do consagrado artista brasileiro Cândido Portinari, levadas no mesmo assalto, permanecem desaparecidas e continuam no centro das investigações das forças de segurança.
Policia recupera gravuras de Henri Matisse
O assalto ocorreu em 7 de dezembro do ano passado, no último dia da exposição Do Livro ao Museu, realizada em parceria entre a Biblioteca Mário de Andrade e o Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM). Na ocasião, dois criminosos entraram no local em pleno meio da manhã, renderam um vigilante e um casal de idosos, recolheram as peças em uma sacola de lona e fugiram a pé pela porta principal em direção à estação do metrô.

Segundo a Polícia Civil, o planejamento e a execução do roubo são atribuídos a Laéssio Rodrigues de Oliveira, de 53 anos, conhecido no meio policial como um dos maiores ladrões de arte do país. Laéssio está preso desde abril por envolvimento em outro delito. Outros dois suspeitos — um homem e uma mulher — também já haviam sido detidos anteriormente, somando quatro prisões ligadas ao caso.
As gravuras resgatadas de Henri Matisse fazem parte do livro de arte de edição limitada Jazz e incluem os títulos: Le Clown, Le Cirque, Monsieur Loyal, Cauchemar de L’Eléphant Blanc, Le Codomas, La Nageuse Dans L’Aquarium, L’Avaleur de Sabres e Le Cowboy. As obras marcam um período histórico de transição em que o artista, impossibilitado de pintar devido a problemas de saúde, revolucionou sua trajetória ao adotar colagens com papéis coloridos recortados.

Por outro lado, as peças de Portinari ainda procuradas integram uma edição especial rara de 1959 para o romance Menino de Engenho, de José Lins do Rêgo, unindo traços modernistas e figurativos clássicos da brasilidade. À época do crime, a Prefeitura de São Paulo acionou a Interpol por meio da Polícia Federal, além de notificar o Cadastro Nacional de Bens Musealizados Desaparecidos do Ibram, o Iphan e a Associação de Galerias de Arte do Brasil para bloquear a comercialização internacional.
Esta não foi a primeira vez que a Biblioteca Mário de Andrade sofreu com ações criminosas. Em 2006, 12 ilustrações pintadas à mão pelo suíço Johann Jacob Steinmann em 1834 foram furtadas do acervo e só foram totalmente recuperadas pela Polícia Federal em 2024, após serem localizadas com um colecionador que as havia adquirido em uma casa de leilões em Londres.
As gravuras de Matisse foram devolvidas à instituição, que reforçou seus protocolos de segurança, enquanto a polícia recupera gravuras de Henri Matisse e mantém as buscas para resgatar o patrimônio de Portinari.