Para 48%, Flávio deveria desistir da candidatura após polêmica com Vorcaro
Pesquisa Datafolha revela que quase metade dos eleitores defende a desistência do senador após vazamento de diálogos com dono de banco.
- Publicado: 23/05/2026 08:14
- Alterado: 23/05/2026 08:15
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: DataFolha
O senador Flávio Bolsonaro enfrenta pressão do eleitorado para abandonar sua candidatura à Presidência da República em 2026. Uma nova pesquisa do instituto Datafolha, divulgada nesta sexta-feira (22), mostra os impactos diretos do vazamento de conversas entre o político e o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
O levantamento capta a divisão da opinião pública sobre o futuro da corrida presidencial. Os dados indicam que uma parcela expressiva da população defende uma troca imediata na chapa.
- Deveria abrir mão e apoiar outro candidato: 48%
- Deveria manter a candidatura: 44%
- Não sabe: 8%
Eleitores de Flávio Bolsonaro mantêm apoio
O cenário muda de figura quando o recorte metodológico foca exclusivamente nos apoiadores declarados do atual senador. O núcleo duro demonstra fidelidade contínua ao projeto eleitoral do partido.
- Deveria manter a candidatura, para eleitores do parlamentar: 88%
- Deveria abrir mão e apoiar outro candidato: 10%
- Não sabe: 2%
As mensagens originais vieram a público através de uma reportagem investigativa do site The Intercept Brasil. Flávio Bolsonaro pediu apoio financeiro a Vorcaro para viabilizar a produção de um filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente”, escreveu o parlamentar na ocasião.
A opinião pública reagiu de forma majoritariamente negativa ao pedido de recursos financeiros. O instituto de pesquisa questionou os entrevistados sobre a postura ética do político durante a troca de mensagens com o empresário.
- Agiu mal: 64%
- Agiu bem: 25%
- Não sabe: 11%
“Um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai”, justificou o político, após confirmar a veracidade dos diálogos vazados.
Percepção de proximidade e impacto nas urnas
O eleitorado enxerga uma forte ligação entre as duas figuras envolvidas no episódio. A pesquisa indicou que a maioria absoluta acredita na proximidade direta entre o representante do PL e o dono da instituição financeira.
- Flávio e Vorcaro têm uma relação próxima: 72%
- Não têm uma relação próxima: 15%
- Não sabe: 13%
As intenções de voto sofreram alterações práticas de acordo com o nível de conhecimento do caso. Antes das revelações ganharem a mídia, 38% dos entrevistados cogitavam votar em Flávio Bolsonaro, número que agora contrasta com a forte resistência de grande parte dos cidadãos.
- Não pensava em votar antes das conversas: 62%
- Pensava em votar antes das conversas: 38%
Entre aqueles que já consideravam apoiar o candidato de direita, o nível de confiança permaneceu inalterado para a maioria. Uma parcela menor indicou mudanças na percepção política sobre o senador.
- Confiança não mudou: 67%
- Diminuiu: 18%
- Aumentou: 14%
- Não sabe: 1%
Cenários eleitorais e possíveis substitutos
O desgaste respingou nas simulações de segundo turno contra o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O petista lidera o cenário com 47% das intenções de voto, contra 43% do adversário.
A vantagem do chefe do Executivo cresceu na simulação de primeiro turno. A diferença numérica saltou de 3 para 9 pontos percentuais em relação ao levantamento anterior, marcando 40% a 31%.
O instituto mapeou alternativas diretas caso a chapa sofra alterações forçadas. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro desponta como a favorita isolada para assumir o protagonismo do campo conservador.
- Deveria apoiar Michelle Bolsonaro: 39%
- Deveria apoiar Romeu Zema: 17%
- Deveria apoiar Ronaldo Caiado: 17%
- Deveria apoiar Eduardo Bolsonaro: 10%
- Não sabe: 9%
- Nenhum: 8%
O grau de atenção da sociedade civil em relação à reportagem variou durante a semana. Cerca de 30% dos entrevistados disseram ter tomado conhecimento das conversas e afirmaram estar bem informados, enquanto 36% não acompanharam o episódio.
O Datafolha entrevistou 2.004 pessoas em todo o território nacional entre os dias 20 e 22 de maio. A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com um nível de confiança de 95%. Os índices mapeados refletem o novo desafio de articulação e sobrevivência política que aguarda a campanha de Flávio Bolsonaro.