33 horas sem celular e o poder da desconexão
Quanto tempo somos capazes de ficarmos distantes do celular? Apontei uma meta pessoal e registrei o meu record.
- Publicado: 27/04/2026 16:25
- Alterado: 27/04/2026 16:25
- Autor: Gabriel de Jesus
- Fonte: ABCdoABC
Com licença, senhoras e senhores. Peço a todos que estão a bordo desta nave repleta de reflexões e emoções que embarquem comigo na história das minhas 33 horas longe do celular. Deixo claro: este artigo não tem a intenção de ser guia psicológico ou discurso de coach — é apenas o relato sincero de uma experiência.
É bem possível que, ao longo desta segunda-feira, desde a hora em que você acordou, tenha tomado café, ido ao trabalho, pegado ônibus, estado na escola ou faculdade, almoçado — sempre com o celular na mão. Inclusive agora, enquanto lê este texto. Da minha parte, se me lembro bem, a última vez que fiquei tanto tempo desconectado foi antes da adolescência.
O poder de imersão nas redes sociais é viciante — quase como uma droga. Dedos que passam de reels em reels, navegando de story em story, vendo a vida dos outros, analisando preferências, roupas, rotinas. E, muitas vezes, esquecemos de nos alimentar dos prazeres reais que a vida oferece fora das telas.
No último sábado, dia 25 de abril de 2026, tomei uma decisão: após meu expediente, iria me desconectar e ver quanto tempo conseguiria ficar longe do celular. O desafio era aguentar até segunda-feira às 9h, quando minha rotina voltaria ao normal. E foi feito.
As primeiras horas sem celular
Já no sábado, o desafio começou a se mostrar… desafiador. Guardei o celular no armário e fui lanchar. Durante o café, veio aquela sensação estranha — como se algo estivesse faltando. Mas segui firme.
Depois, fui terminar a série Love, Victor. A cada episódio, os dedos coçavam para pegar o celular. Mas a vontade de vencer o desafio falou mais alto.
Quando deu meia-noite, aquele impulso automático apareceu: verificar o último story, dar “só uma olhadinha”. Resistir ali foi uma pequena vitória. Fui dormir. A ansiedade existiu, sim — mas passou. Dormi normalmente.
O domingo inteiro offline
Acordei por volta das 10h30. E o primeiro impulso? O clássico: abrir o Instagram antes mesmo de abrir os olhos. Aquela dose de dopamina antes até de escovar os dentes.
Mas ignorei.
Levantei, tomei café com calma, fiz tarefas domésticas — lavei banheiro, arrumei o quarto. E aí vem um ponto interessante: não é só fazer as coisas, é prestar atenção nelas.
Sem o celular, você observa mais. Nota detalhes no piso, na casa, na rotina. Na comida, você realmente sente o sabor. Não é só executar, mas sim viver o momento.
Almocei uma ótima feijoada preparada pela Dona Marina. E segui.
A tarde e o confronto com o mundo conectado
Depois do almoço, veio outro desafio: o tempo livre. Sem celular, o descanso parece mais longo. Fui ouvir música, assistir clipes, ver shows. O tempo foi passando.
No fim da tarde, fui caminhar na praia — do bairro Aparecida, em Santos, até o Quebra-Mar, no José Menino. Cerca de 1h10 andando.
Chegando lá, uma cena curiosa: todos conectados. Literalmente todos.
E aí vem o teste mental: você desconectado, cercado por pessoas conectadas. Poderia bater o desespero — mas não bateu.
Fiquei olhando o mar, sentindo a brisa, lendo um livro sobre autocuidado. Foi um momento raro de silêncio interno. De presença.
Mesmo com alguém tocando música alta na caixa de som (mas isso fica para outro texto).
A reta final
Voltei para casa por volta das 19h. A vontade de pegar o celular aumentou — mas resisti. Jantei, busquei mais distrações. Lembrei que “O Diabo Veste Prada 2” vai estrear e resolvi rever o primeiro. Lá se foram mais duas horas. Quando vi, eram 22h. Ou seja: 24 horas completas sem celular.
Antes de dormir, quase perdi.
Precisei ligar o celular para colocar o despertador. Aquele risco clássico: “já que liguei, vou dar uma olhadinha…”. Mas consegui me controlar — coloquei o alarme e deixei o aparelho longe.
Ou quase.
O despertador estava marcado para 7h30. Mas às 6h10… eu liguei o celular.
Perdi.
Mas também ganhei.
No total: 33 horas.
O que ficou dessa experiência
Essas 33 horas me mostraram algo simples, mas poderoso: existe vida fora do celular.
O mundo continua girando. O sol nasce. As oportunidades existem — com ou sem tela na mão.
E mais do que isso: é possível se alimentar mais do real do que do digital.
Fica aqui a recomendação: permita-se tentar. Um dia sem Instagram, TikTok, notícias, reels, stories.
Não é só um desafio. É uma necessidade!